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Escassez gera perda bilionária no milho

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Verão começa hoje, mas prejuízo com o clima seco já faz preço disparar

Sérgio Cappellari diz que safra não dá nem para silagem e teme descumprir contrato de venda com cooperativa<br /><b>Crédito: </b> felipe dornelles / especial / cp

Sérgio Cappellari diz que safra não dá nem para silagem e teme descumprir contrato de venda com cooperativa
Crédito: felipe dornelles / especial / cp

Antes mesmo do início do verão, o déficit hídrico no Estado já sinaliza um prejuízo de R$ 1,3 bilhão. Este é o valor que deve deixar de ser injetado na economia frente à previsão de quebra de 50% na safra do milho, que, até agora, é a cultura mais afetada. A estimativa do analista Farias Toigo leva em conta a projeção da Conab de colheita de 5,77 milhões de toneladas e preço da saca de R$ 28,00. Conforme o economista, o cenário alarmante, embora ainda não confirmado, acendeu o sinal vermelho no campo. "Nos últimos dias, a saca subiu de R$ 24,00 para R$ 30,00 no Interior." Ele teme que aconteça o mesmo com a soja, mas destaca que ainda é cedo para avaliar possíveis perdas.
Hoje, a Emater divulga levantamento conjuntural que deve trazer novos reflexos da falta de chuva no Estado. Nas regionais, o impacto já é tabulado. É o caso dos 45 municípios do Noroeste, onde a média de redução na produtividade é de aproximadamente 20%. Porém, há quem tenha quebra de 60%. Nos 115,7 mil hectares cultivados com milho na região, a produtividade caiu de 4.351 quilos por hectare para 3.482 quilos por hectare. Com duas lavouras, que totalizam 25 hectares, o produtor Sérgio Cappellari, de Guia Lopes, interior de Santa Rosa, esperava colher 120 sacas por hectare, mas deve ter que se contentar com 60 sacas. O milho está impróprio até para silagem, o que faz com que Cappellari não saiba se conseguirá cumprir contrato de venda de 800 sacas firmado com cooperativa local.
As perdas nas lavouras dos 71 municípios assistidos pela Emater de Passo Fundo, onde foram cultivados 207 mil hectares, chegam a 40%. Segundo o agrônomo Cláudio Dóro, mesmo que venha a chover, as perdas já são irreversíveis. A situação é pior em Liberato Salzano, Constantina, Novo Xingu, Sarandi e Barra Funda, onde a quebra chega a 60%.

Fonte:  Correio do Povo