Escassez de crédito leva Bayer a ampliar operação de ‘barter’

Reichardt: "Foi um aumento muito grande. Não há nada igual a isso no mundo"
O cenário de aperto no crédito em geral no Brasil, que afetou inclusive a disponibilidade de recursos com taxas de juros subsidiadas no Plano Safra 2015/16, fez a multinacional alemã Bayer CropScience entrar de forma mais agressiva nos negócios de "barter" para o custeio do plantio de grãos que terá início em meados de setembro no país.

A compra de insumos e outras tecnologias em troca de produtos agrícolas pela fabricante de sementes e defensivos registrou no primeiro semestre deste ano um incremento de cerca de 300% na comparação com 2014, uma alta sem precedentes para as operações da subsidiária brasileira.

"Foi um aumento muito grande. Não há nada igual a isso no mundo", afirmou ao Valor Marc Reichardt, membro do Comitê Executivo da Bayer CropScience e atual Head Global de Operações Comerciais Agrícolas. Considerado o segundo homem da Bayer na Alemanha, o executivo disse que a troca para custear os plantios e garantir investimentos em tecnologia nas lavouras tornou-se essencial este ano diante do problema de caixa do produtor e da volatilidade de commodities. "Mas não gostamos disso", ressaltou ele. "Gostaríamos que o sistema financeiro arcasse com o custeio da safra, e não nós. Esse não é o nosso negócio".

Em 2014, a Bayer, uma das mais importantes operadoras de "barter" no país, calculava que 40% de suas vendas para distribuidoras de insumos tinham saído por meio de trocas – nível já maior que nos quatro anos anteriores nessa frente. Como ainda não tem os dados fechados do primeiro semestre, a empresa preferiu não divulgar estimativas de quanto as operações de "barter" já alcançaram proporcionalmente em 2015. Nem apenas junto às distribuidoras nem em geral.

Sem revelar detalhes sobre as operações no Brasil, o executivo, que já foi presidente da Bayer CropScience para América Latina entre 2006 e 2013, disse que Ucrânia e Rússia têm lançado mão de "alguma coisa" em termos de "barter", mas com a diferença que o período de financiamento é muito mais curto. "No Brasil, o investimento para a safra é muito longo".

A divisão agrícola da Bayer registrou vendas globais de € 2,723 bilhões no segundo trimestre, 10% acima do mesmo período de 2014.

Fonte : Valor