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Equipamentos para irrigação em alta no país

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Irrigação por gotejamento, técnica que aumenta a eficiência e reduz o desperdício de água nas lavouras: potencial do mercado brasileiro anima empresas

Depois de crescer quase 47% entre 2000 e 2011 e alcançar 4,5 milhões de hectares, a área agrícola do país irrigada com sistemas fabricados pelas principais empresas que atuam no segmento tende a ganhar mais impulso com a constante busca por eficiência nas lavouras, os limites físicos para a expansão das áreas de plantio e em razão da crescente preocupação com danos como os provocados pela estiagem às lavouras de grãos na região Sul nesta safra 2011/12.

De acordo com informações da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), suas 34 associadas, que representam 90% das fabricantes do ramo, estimam que as vendas deverão alcançar R$ 1 bilhão neste ano, quase 18% mais que em 2011 (R$ 850 milhões) – quando o incremento em relação a 2010 já foi pouco superior a 10%.

Mesmo que lentamente, tendo em vista a pujança do agronegócio brasileiro, a área irrigada vem aumentando em ritmo constante nos últimos anos (ver gráfico). A abundância de água no país ajuda a limitar a velocidade desse avanço, mas as frequentes estiagens em regiões tradicionais de produção, as oportunidades de diversificação de cultivos em áreas com déficits hídricos e a busca por mais produtividade estimulam a demanda por equipamentos do segmento, sobretudo em anos de boa rentabilidade agrícola como foi 2011.

Prova disso é que os 170,6 mil hectares irrigados incorporados no ano passado resultaram na maior expansão anual, em termos absolutos, desde 2000. Segundo a Agência Nacional de Água (ANA), os 4,5 milhões de hectares irrigados alcançados ainda equivalem a apenas 8,3% da área total ocupada por lavouras do Brasil; mas, mesmo assim, a irrigação é o segmento que mais consome água no país, e é preciso maior eficiência no uso dos recursos naturais neste caso.

Considerando-se apenas pivôs e carreteis (equipamento para aspersão mecanizada), foram vendidas 1,4 mil unidades em 2011 pelas associadas à Abimaq, 12% mais que em 2010. A entidade não tem à disposição números sobre as vendas de aspersores, essenciais na irrigação localizada. Independentemente disso, Antonio Alfredo Teixeira Mendes, presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Abimaq, pontua que há uma demanda reprimida "fortíssima" por esses e outros equipamentos do segmento no Brasil.

"Não seria nada inesperado se todo o setor duplicasse o faturamento nos próximos três anos", afirma o dirigente. Citando dados da Secretaria Nacional de Irrigação, vinculada ao Ministério da Integração Nacional, Mendes afirma que a área potencial para a implantação da técnica chega a 30 milhões de hectares no país.

O presidente da Câmara da Abimaq confirma que a seca no Sul do país provocou o aumento de consultas e negócios, mas lembra que há restrições de outorga de água e licenciamento para barragens. As perdas agrícolas derivadas da estiagem na safra de grãos 2011/12 foram maiores que o investimento necessário para implementar a irrigação em larga escala na região.

Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo