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Entrevista Francisco Turra

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Fonte: CLICRBS |  Especial 25 Anos

Entre a vida pública e a privada, Francisco Turra trouxe diversas contribuições ao agronegócio brasileiro. Ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, teve como um dos desafios moralizar a COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB), que vinha sofrendo com processos e denúncias de corrupção.

– Na CONAB enfreitei o período mais duro da minha vida. Tinha muito desvio, corrupção e robalheira total. Tivemos a missão de moralizar, ajustar os estoques, dar destinos aos estoques abaixo do padrão. Recordo que isso era um absurdo, dinheiro perdido, maracutaia de todo lado, 1.290 processos na justiça. E saímos de lá recebendo um prêmio como a melhor empresa pública do Brasil – relembra.

Com o trabalho na CONAB, surgiu o convite de Fernando Henrique Cardoso para assumir o Ministério da Agricultura. Turra conta que o ex-presidente foi um parceiro no desenvolvimento do setor.

– Ele ligava às vezes para questões absurdas. Me ligava e perguntava o que havia acontecido com o preço do feijão porque tinha disparado. E eu procurava tranquilizá-lo dizendo que tinha três safras por ano, que ele ficasse tranquilo que logo o preço baixava. Mas ele acompanhava de perto e vibrava com resultados. Me ajudava com a briga com a Fazenda. Eu falava para ele que o Malan queria nos dar "x" por cento de aumento apenas no Plano Safra. E ele dizia que era para deixar com ele. Ele entrava em campo e ajudava – comenta

Da vida pública para a privada, assumiu a presidência da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango, que virou depois a União Brasileira de Avicultura (Ubabef). Turra ressalta o trabalho de abertura de novos mercados para o frango brasileiro no exterior.

– A gente abriu novos mercados, como a China. Foram 14 novos mercados. Hoje já estamos num estágio tanto no mercado interno quanto externo, em um nível muito bom. Mas sofrido, porque tivemos um custo absurdo das commodities para um preço baixo no mercado e o dólar nos matando. Mas percebemos agora que o frango tem facilidade de remanejar. Se a Rússia fecha as portas, o Egito compra mais – comemora.

Sobre os 25 anos do Campo e Lavoura

"Eu admiro muito vocês. Vocês são a seiva que nos ajuda muito, o que é fundamental. Quem ouve vai tomar decisões a partir do que ouve. E a nossa sociedade é muito urbana e era estranho ter espaços para difundir o agronegócio há 25 anos. Hoje a sociedade sabe que a comida vem do campo e o que vem ao redor vem do campo também. Muita gente urbana ouve o programa porque tem interesse e vive dele também".