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Empresas traçam cenário otimista

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Dominado por subsidiárias de empresas multinacionais, o mercado brasileiro de equipamentos para irrigação divide-se basicamente em dois segmentos: o dos pivôs centrais, equipamentos automatizados que se movimentam a partir de um ponto fixo, e o de irrigação localizada, que inclui gotejamento e microaspersão. E há potencial de crescimento nas duas pontas, mesmo levando-se em conta que o Brasil já é considerado o maior mercado mundial em área irrigada para algumas empresas.

Um bom termômetro do otimismo que domina o segmento é a John Deere Water, divisão da americana John Deere criada em 2008, após a aquisição de três empresas do segmento de irrigação. Ela estima crescer de 20% a 30% ao ano no Brasil a partir de 2013, taxas muitos superiores às observadas nos últimos anos no mercado como um todo.

A divisão não revela números de equipamentos comercializados nem faturamento, mas informa que cresceu 30% de 2010 a 2012 no país, considerando-se que o atual ano-fiscal terminará em outubro. Ela trabalha com equipamentos para irrigação localizada, mas não descarta entrar na área de pivôs.

Para Paulo Rohde, diretor de operações da John Deere Water para a América do Sul, as oportunidades de crescimento não estão apenas nas culturas que tradicionalmente já utilizam a técnica, como café, frutas cítricas e hortifrutis, mas também em áreas de produção extensiva de cana, GRÃOS e algodão. "Podemos obter de duas a três colheitas por ano com essa tecnologia". Ele admite que é um desafio transformar a agricultura extensiva brasileira em uma agricultura "alimentada" com água e fertilizante direcionados diretamente à raiz da planta na quantidade e no momento corretos. "Podemos otimizar o uso da água e usar menos fertilizantes", afirma.

Para a outra empresa americana, a Valmont, forte na área de pivôs centrais, o Brasil também já é uma das maiores operações fora dos Estados Unidos. Conforme Marcelo Lopes, diretor da companhia, mesmo sendo cíclico o mercado vem apresentando crescimento. Segundo ele, em 2011, a expansão da área irrigada com produtos da Valmont foi de 20%; para 2012, a previsão é de estabilidade.

Na avaliação de Lopes, o mercado não evolui tanto no país em função de três barreiras principais – dificuldades para o licenciamento ambiental, falta de acesso do produtor rural a crédito e ausência de disponibilidade de carga e rede de distribuição de energia elétrica. Opinião compartilhada por outros representantes do segmento, que também tentam mudar a imagem de "desperdiçadora de água" da atividade. (CF)

Fonte:  Valor