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Empresas já buscam camarão do Equador

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Divulgação

Camposano: Equador pode cobrir 50% do déficit na oferta de camarão no Brasil

Após a queda da liminar que em junho deste ano suspendeu a liberação da importação de camarões equatorianos pelo Brasil a pedido da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), oito empresas brasileiras já estão em contato com exportadores do Equador para adquirir o crustáceo. Segundo José Antonio Camposano, presidente da Câmara Nacional da Aquicultura do Equador, o país tem potencial de atender, facilmente, 50% de um déficit estimado em 45 mil toneladas na oferta do Brasil.

Embora o presidente Michel Temer tenha anunciado o fim da barreira ontem, a liminar que suspendia a liberação foi derrubada em agosto passado.

 

"Nossa intenção não é comprometer o produtor brasileiro ou inundar o mercado brasileiro, mas diversificar nossos mercados. Atualmente exportamos para outros países, como a Argentina, onde a nossa presença não inviabiliza a produção local", disse Camposano, citando o alto preço do camarão no mercado brasileiro.

Com uma oferta baseada na captura de camarões selvagens, a Argentina contava com uma produção de 139 mil toneladas de janeiro a agosto deste ano ante mais de 300 mil toneladas do Equador, maior produtor da América do Sul, segundo dados da FAO. Em 2013, uma decisão liminar também impediu a abertura do mercado brasileiro para o camarão argentino com as mesmas alegações que travaram a entrada do produto equatoriano: riscos sanitários.

"O Equador se adaptou a uma série de procedimentos que o Brasil exigiu, cumprindo todos os requisitos", afirmou Camposano, para quem a argumentação da ABCC não tinha sustentação técnica.

"A contaminação ocorre por aves migratórias, e aves migratórias não possuem passaporte. Não há risco nenhum de contaminação a partir da importação", disse Fernando Perri, CEO da Vivenda do Camarão, uma das empresas em contato com os exportadores equatorianos.

Perri tem 110 hectares destinados à produção do crustáceo e estima que importará cerca de 100 toneladas num primeiro momento, com redução progressiva conforme aumente a sua produção própria, atualmente em 20 toneladas. "Na verdade, as importações vão ser um alívio no começo, mas em seis meses eu paro de importar porque minha fazenda vai render mais do que preciso", estimou.

A abertura do mercado brasileiro também é um alívio temporário para o Equador, cuja pauta de exportações está 30% concentrada em petróleo cru. Os preços do produto têm apresentado queda no mercado internacional a despeito dos esforços da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para reequilibrar a oferta mundial após o aumento da produção de petróleo xisto nos EUA.

Segundo a Proecuador, o camarão representa 90% das exportações não petroleiras do país. "O Brasil tem enviado, historicamente, produtos semi-industrializados e industrializados para o Equador. O que queremos é melhorar essa balança", concluiu Camposano.

  • Por Cleyton Vilarino | De São Paulo
  • Fonte : Valor