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Empresas de máquinas projetam avanço das vendas de colhedoras de cana no país

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Apesar da forte queda nas vendas em abril, as principais fabricantes de colhedoras para cana do país estão confiantes na recuperação do mercado até o fim do ano, embora as cotações internacionais do açúcar tenham registrado baixas expressivas nos últimos meses.

Segundo divulgou na sexta-feira a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram vendidas 99 colhedoras de cana no mês passado, queda de 23,8% em relação a abril de 2016. No primeiro quadrimestre, foram 378 unidades, ante 390 em igual intervalo do ano passado.

Em boa medida, o tombo de abril pode ser explicado pelo menor número de dias úteis – 18, sem contar a greve geral do dia 28. Em encontro com jornalistas na sexta-feira, Antonio Megale, presidente da Anfavea, lembrou que esse pequeno número de dias úteis influenciou negativamente o mercado de veículos em geral no país.

Mas, apesar da retração, os fabricantes de colhedoras de cana apostam em uma retomada, apesar de reconhecerem que muitas usinas ainda se preocupam com as dívidas contraídas do passado e que o mercado para essas máquinas no país não deverá registrar crescimento expressivo em 2017 – em 2016, foram vendidas cerca de mil unidades vendidas no ano passado.

"Não vemos o segmento de cana com uma perspectiva de crescimento grande. Mas, devido aos anos de crise, há uma demanda reprimida e esperamos que nossas vendas de colhedoras aumentem até 20% este ano", disse Alexandre Vinícius de Assis, gerente de contas estratégicas da Valtra, marca do grupo AGCO, durante a Agrishow, maior feira de agronegócios do país, realizada na semana passada em Ribeirão Preto.

A marca Valtra detém 7% desse segmento. Mas Assis avalia que há espaço para avanços nos próximos anos. Para ele, até 2018 deverá haver uma estabilidade nas vendas de colhedoras em geral, mas aposta que as usinas passarão por uma nova fase de consolidação que poderá posteriormente abrir espaço para crescimentos mais expressivos.

César Di Luca, diretor comercial da Case IH no Brasil, marca do grupo CNH Industrial, observa que os resultados de muitas usinas – sobretudo as que já estavam mais capitalizadas – melhoraram em 2016 e, com isso, projeta crescimento de 3% do faturamento com colhedoras de cana este ano.

Por Cristiano Zaia e Fernando Lopes | De Ribeirão Preto e São Paulo

Fonte : Valor