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Empresarial ou familiar, produtor ensina a preservar o trabalho no campo

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“Tamanho não é documento”, já diz o ditado popular. E quando se trata de produtor rural no Brasil, o dito se confirma. Empresarial ou familiar, pequeno ou grande, o produtor brasileiro tem a sua importância na produção de tudo o que é consumido dentro e fora do país.
Os agricultores familiares são responsáveis hoje pela produção de aproximadamente 70% dos alimentos que chegam às mesas dos brasileiros. E desde 2009, com a aplicação da Lei Nº 11.947, que garante a compra de pelo menos 30% dos produtos para a merenda escolar direto dos agricultores familiares, eles ainda contribuem para levaralimentos mais saudáveis para a mesa dos estudantes. Responsabilidade de “gente grande”, que tem feito com que muitos deles, mesmo sem terem concluído o ensino fundamental, busquem capacitação para produzir cada vez melhor sem agredir o solo e o meio ambiente.
Para quem nasceu e cresceu na "roça", trabalhar com a terra é mais que um prazer. Que o dia o agricultor familiar Odair dos Santos, 32, de Biritiba Mirim (SP). "Meu pai trabalhava numa fazenda e produzia batatinha, repolho. Nessa área onde eu vivo hoje, meu pai era encarregado. O dono perdeu o terreno para o governo e o Incra nos assentou na reforma agrária. Com 17 anos, eu já tinha meu próprio empreendimento e hoje eu estou com meu lote, toco minha própria terra", conta, orgulhoso.
Apesar de não ter concluído o ensino médio, Santos aprimorou todo o conhecimento na produção agrícola que adquiriu do pai com cursos e instruções técnicas de apoios institucionais. "Eu vim trabalhar com os conhecimentos que meu pai me transmitiu quando eu ainda era moleque. Mas depois teve os auxílios técnicos, começamos a ter palestras, dia de campo, aí começamos a ir atrás de informações de plantio. Ajudou bastante porque a gente tinha uma experiência de plantio, mas a parte de solo, como é o uso do calcário, por exemplo. Hoje a gente tem um conhecimento de como produzir e não cansar o solo, não estressar a terra".
Tudo o que aprendeu, hoje é transmitido pelos filhos, Carolina Vitória , 4 anos, e Wilson, de 8. Lições que servem para qualquer filho. "Pode até ter muitos adolescentes que acham que trabalhar com a roça não dá futuro, mas eu tento informar a eles que vai chegar um tempo em que a terra para cultivar vai ser o maior tesouro que alguém pode ter. Quando a população mundial começar a aumentar, aumentar, aumentar, a agricultura vai ser a maior fonte de renda porque todo mundo vai ter que comer e vai depender da roça", ensina.
Empresarial
Com a crescente necessidade de produção de alimentos para a população mundial, os produtores empresariais dedicam a vida para atingir largas escalas. Levados pela maré de altos e baixos do mercado, garantem também que os produtos brasileiros cheguem a outros países, contribuindo significativamente para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil – o agronegócio representa quase um quarto do PIB brasileiro.
Assim como Odair e tantos outros, o agronegócio entrou na vida do suinocultor paulista Matheus Bressiani, 28, pela família. "Estou na terceira geração. Começou com meu avô, meu tio, meu pai e agora eu. com o tempo, teve a coisa de investir no açúcar, soja, gado, mas tem que onvestir em uma coisa só", diz.
Diante das dificuldades do mercado, especialmente o de suínos, que passa por uma grave crise recentemente, Bressiani confessa que já pensou em desistir do negócio. "Mas a gente sempre tem a esperança de que o dia seguinte vai ser melhor", diz, repetindo a mesma ideia como mensagem de esperança para todos os colegas do setor, em comemoração ao dia dos profissionais do campo.

Fonte : Revista Globo Rural