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Empresa comemora o ‘melhor ano de sua história’

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Ana Paula Paiva/Valor

Venturelli, presidente da São Martinho, está confiante em relação ao ciclo 2017/18

Apesar dos problemas climáticos que prejudicaram as lavouras de cana em algumas de suas áreas de produção, a São Martinho divulgou ontem expressivos avanços em seus resultados tanto no quarto trimestre da safra 2016/17 quanto em toda a temporada. "Foi o melhor ano da história da companhia", resumiu o diretor-presidente Fabio Venturelli.

Conforme relatório enviado ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a São Martinho fechou o quarto trimestre do exercício, em 31 de março, com lucro líquido recorde de R$ 119,4 milhões, 65,6% superior ao de igual período do ciclo anterior, Ebitda (lucro antes de impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 401 milhões, alta de 15,8% na mesma comparação, e receita líquida 9,3% maior (R$ 894,3 milhões).

Em toda a safra 2016/17, o lucro líquido da empresa aumentou 37,2% em relação ao resultado de 2015/16, para R$ 283,9 milhões, seu Ebitda ajustado subiu 11,1%, para R$ 1,4 bilhão, e a receita líquida cresceu 10,3%, para R$ 3,1 bilhões. "Não fossem as três geadas seguidas em áreas de produção de cana da empresa [cerca de 40 mil hectares foram afetados], o resultado líquido [anual] poderia ter atingido R$ 500 milhões", disse Venturelli.

Em comunicado, a São Martinho detalhou que as intempéries reduziram em 10% sua produção canavieira em relação ao volume previsto no início da safra. Ainda assim, a moagem de cana da companhia chegou a 19,3 milhões de toneladas. Da produção, o açúcar foi o destaque: gerou receita líquida de R$ 1,6 bilhão em todo o ciclo 2016/17, 30,7% mais que em 2015/16. Com etanol anidro, a receita caiu 4,5%, para R$ 763,4 milhões, e com o hidratado a retração foi de 5,3%, para R$ 475,4 milhões.

Apesar da tendência de queda das cotações internacionais do açúcar nos últimos meses, a São Martinho está confiante quanto a seu desempenho na safra 2017/18, que começou em abril. Em boa medida, porque já fixou os preços de cerca de 70% da produção que espera atingir por uma média mais remuneradora, acima dos patamares que estão sendo praticados. No caso do etanol, cujos preços domésticos também estão em queda com o avanço da colheita, a estratégia, como de costume, tem sido estocar e esperar um melhor momento para vender.

A São Martinho fechou a safra 2016/17 – quando adquiriu integralmente a Usina Boa Vista, situada em Quirinópolis (GO), e expandiu a Usina Santa Cruz, em Américo Brasiliense (SP) – com alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) de 1,55 vez, ante 2,14 vezes ao término do ciclo 2015/16. Para 2017/18, a empresa pretende investir cerca de R$ 900 milhões em plantio e tratos culturais. Sem geadas e com as recentes expansões, prevê aumento de 15,7% da moagem de cana, para 22,3 milhões de toneladas, e altas de 7,6% da produção de açúcar, para 1,4 milhão de toneladas, de 13,1% para o etanol anidro, para 450 mil metros cúbicos, e de 59,8% no caso do hidratado, para 430 milhões de litros.

Fonte : Valor