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Embrapa abandonou pesquisa de transgênico

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Há seis anos, a Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas (BA), procurou na transgenia a solução para tornar a banana nanica resistente a pragas, em especial à Sigatoka negra. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, do Ministério da Ciência e Tecnologia (CTNBio) havia autorizado os testes em campo, mas a pesquisa não prosseguiu. "Havia a necessidade de muitos investimentos contra uma grande incerteza sobre a aceitação do consumidor", pondera o pesquisador Edson Perito Amorim, que coordena o programa de melhoramento genético convencional da fruta.

Na época e, por precaução, os pesquisadores não trabalharam em laboratório com a resistência ao mal do Panamá raça 4, doença incapaz de ser controlada com fungicidas e que não chegou ao país. Mas ela tem causado enormes prejuízos a Índia, Filipinas e China, os três maiores produtores mundiais da fruta.

No entanto, a primeira versão do mal do Panamá está presente nos cultivos nacionais e ataca unicamente a banana maçã. Por essa razão, a variedade desapareceu do Vale do Ribeira e migrou para o norte de Minas Gerais. Mas os produtores sempre estão em busca de terras livres da doença e, por isso, a cultura tornou-se nômade e a variedade cada vez mais rara e cara nos supermercados.

O fungo Fusarium oxysporum, causador do mal do Panamá vive no solo por pelo menos 50 anos e invade o pseudocaule da planta. Para dispersá-lo, basta transferir uma muda ou a própria terra contaminada para outro lugar, por meio de tratores, arados e outras ferramentas agrícolas.

A banana é considerada o quarto mais importante produto agrícola para as nações em desenvolvimento, atrás do arroz, trigo e milho, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês). Ao todo, aproximadamente 130 países produzem em torno de 100 milhões de toneladas da fruta por ano, conforme a agência.

No entanto, apenas 20% da produção mundial de banana é exportada, principalmente, para países da União Europeia, Estados Unidos, Rússia e Japão. Estimado em US$ 8,5 bilhões anuais, esse mercado é abastecido principalmente por Equador, Costa Rica, Filipinas e Colômbia. (JK)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo