Embarque de café deve alcançar nova marca histórica

O Brasil pode fechar o ano com exportações recorde de café, estima Nelson Carvalhaes, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Em novembro, as exportações do país foram recorde para o mês e somaram 3,371 milhões de sacas, uma alta de 6,9% ante igual mês de 2014, conforme dados compilados pelo Cecafé. Os números incluem as exportações de café verde, torrado e moído e de café solúvel.

Em receita, porém, as vendas externas somaram US$ 498,341 milhões em novembro, uma queda de 20,1% em relação aos US$ 624,07 milhões registrados no mesmo mês de 2014. De acordo com o Cecafé, a redução na receita reflete sobretudo o recuo dos preços médios na exportação. Em novembro, o valor médio da saca foi US$ 147,83, uma queda de 25,3% sobre os US$ 197,92 do mesmo mês do ano passado.

A entidade observou, em nota, que a retração do café segue "uma trajetória semelhante à dos preços mundiais dos produtos básicos (…)" e reflete também a ocorrência de chuvas nas principais regiões cafeicultoras do Brasil.

No acumulado do ano, também há retração na receita com os embarques. Segundo o Cecafé, de janeiro a novembro, a receita cambial com as exportações de café do Brasil totalizaram US$ 5,626 bilhões, 5,5% abaixo dos US$ 5,951 bilhões de igual intervalo em 2014. Já o volume subiu 1% na mesma comparação, para 33,520 milhões de sacas.

"Tivemos recorde histórico em novembro e podemos ter recorde também no ano", disse Carvalhaes. Em 2014, foram exportadas 36,4 milhões de sacas, com uma receita cambial de US$ 6,6 bilhões. Agora, a expectativa é de que alcance 36,5 milhões de sacas, segundo o dirigente. Isso se a exportações em dezembro ficarem na casa das 3 milhões de sacas. Nesse cenário, a estimativa é de que a receita alcance US$ 7 bilhões neste ano.

No período de 12 meses, entre dezembro de 2014 e novembro passado, as vendas externas de café já totalizaram 36,738 milhões de sacas, 1,5% de alta sobre o mesmo intervalo um ano antes, de acordo com o Cecafé.

Nelson Carvalhaes afirmou que o bom desempenho dos embarques de café no ano surpreendeu, uma vez que o país vem de um "ano difícil" e de safras afetadas pela seca. Ele observou que a valorização do dólar ante o real também tornou o café brasileiro mais competitivo.

O Cecafé destacou também o avanço nas exportações de conilon pelo Brasil, em decorrência da menor oferta de café robusta do Vietnã e de outras origens. Também há possibilidade de recorde no ano. De janeiro e novembro, foram embarcadas 4,042 milhões de sacas, 35% mais que em igual período em 2014.

Por Alda do Amaral Rocha e Bettina Barros | De São Paulo

Fonte : Valor