Embargo da Rússia a dez frigoríficos

O serviço de vigilância sanitária da Rússia, o Rosselkhoznadzor, suspendeu temporariamente as importações de carnes de dez frigoríficos brasileiros.

Segundo a decisão, a partir do dia 9 de junho, estarão vetadas as importações pela Rússia de carnes das unidades de suínos da BRF em Goiás e do Frigoestrela em São Paulo. O país também suspendeu a importação de carne bovina de duas unidades da JBS (uma em Minas Gerais e outra em Goiás) e de três da Marfrig, duas em São Paulo e uma em Mato Grosso do Sul. Além delas, também estarão impossibilitados de exportar os frigoríficos Mato Grosso Bovinos e Nortão, ambos em Mato Grosso.

O órgão informou ainda que suspendeu, a partir do dia 2 junho, as exportações de carne bovina do Frigol, em São Paulo.

Segundo a Bloomberg, o Rosselkhoznadzor teria detectado práticas incompatíveis com a permissão para exportação de carne à Rússia, incluindo uso de estimulantes de crescimento de animais.

Procurada, a JBS disse que seus contratos de fornecimento de carne bovina para clientes na Rússia "não sofrerão qualquer tipo de prejuízo" em razão da decisão de Moscou. "Além das duas unidades suspensas, a companhia possui outras 31 unidades habilitadas a exportar para a Rússia. As duas unidades suspensas também não sofrerão qualquer tipo de perda, já que possuem habilitação para exportar para outros mercados", informou em comunicado.

A Marfrig disse que, das três unidades embargadas por Moscou, apenas uma, de fato, vinha atendendo à demanda de clientes daquele país, e parcialmente. "As exportações totais para a Rússia não deverão ser afetadas em decorrência do embargo e continuarão a ser realizadas por cinco unidades produtoras da Marfrig Beef no Brasil e quatro unidades no Uruguai", informou em comunicado. A BRF não se manifestou.

O motivo para a suspensão russa não está totalmente claro. Representantes do Ministério da Agricultura não foram encontrados para comentar, uma vez que acompanham a ministra Kátia Abreu em viagem à Europa.

Existe, porém, uma percepção no mercado de que a Rússia se prepara para amenizar as sanções às importações de Europa e EUA. Assim, poderia reduzir o número de unidades brasileiras habilitadas a exportar.

Após um primeiro trimestre fraco, por conta da crise na Rússia, o embarque brasileiro de carne bovina ao país vinha em recuperação.

Fonte: Valor | Por Bettina Barros e Fernando Lopes | De São Paulo