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Em alta, farinha de peixe eleva custo de camarão e salmão

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Enrique Castro-Mendivil/Reuters
Pesca de anchovas no Peru, maior exportador mundial de farinha de peixe: produto atingiu preço recorde de US$ 2.400 por tonelada, devido à menor oferta

Os consumidores poderão em breve pagar mais caro por um prato de sushi, uma vez que a farinha de peixe, alimento importante na criação de camarões e salmões, encontra-se no maior patamar histórico.

A commodity subiu para o preço recorde de US$ 2.400 a tonelada, já que o aumento das temperaturas dos oceanos levou a uma grande queda na pesca de anchovas no Peru, que é o maior exportador mundial. Os preços quadruplicaram na última década, depois que o suprimento desses peixes foi afetado pelas mudanças climáticas e também pelo aumento da demanda.

"Aqueles que realmente precisam da farinha de peixe estão comprando tudo que o que está disponível", afirma Enrico Bachis, analista-chefe da associação International Fishmeal and Fish Oil Organisation.

O aumento dos custos da farinha de peixe ocorre no momento em que os preços dos frutos do mar atingem máximas históricas. Os preços do salmão e do camarão caíram em relação aos níveis recorde registrados este ano, mas os valores dessas espécies criadas em cativeiro e as disponíveis na natureza continuam altos por causa da crescente demanda e da menor produção decorrente de doenças e outros problemas relacionados à oferta.

Especialistas afirmam que a aquicultura continuará crescendo, apesar de o nível da pesca na natureza ter se estabilizado desde os anos 1980. O volume de peixes pescados na natureza poderá cair, já que a pesca excessiva continua reduzindo as populações de peixes, em uma tendência agravada pela poluição e as mudanças climáticas.

A FAO, braço da Organização das Nações Unidas para agricultura e alimentação, prevê que o consumo per capita de peixes de aquicultura crescerá 4,4% este ano em relação a 2013, para o total anual de 10,3 quilos, superando pela primeira vez o número equivalente de peixes capturados na natureza, que deverá diminuir 1,5%, para 9,7 quilos.

Nianjun Shen, funcionário da FAO em Roma, diz que a demanda da aquicultura e da pecuária pressionará a demanda por farinha de peixe. A indústria de alimentos para peixes aguarda novos dados do instituto marítimo do Peru, para saber se as autoridades peruanas darão um sinal verde para a pesca da anchova no litoral do país.

O aumento dos preços deverá intensificar o movimento de busca de substitutos. Rações vegetais, como a de soja, já substituem algumas das proteínas de peixe nas rações usadas na aquicultura. A ração de peixe e o óleo respondem hoje por menos de 25% da alimentação na aquicultura, número que era de 80% na década de 1990.

Porém, a Marine Harvest, a maior companhia de criação de salmão do mundo, com sede na Noruega, informa que substituir completamente a ração de peixe é "um grande desafio", por causa dos níveis concentrados de proteína e aminoácidos existentes nessas rações.

A indústria da nutrição animal ainda não encontrou um substituto para o óleo de peixe, que fornece o ácido graxo Ômega 3, tido como bom para o coração, embora pesquisas a respeito estejam em andamento. O Ômega 3 extraído das algas já é usado em pequena escala, enquanto outras companhias trabalham em uma variedade de soja que produz ácidos graxos.

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Fonte: Valor | Por Emiko Terazono | Financial Times