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El Niño traz esperança

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Segundo Fepagro, precipitações poderão superar médias em até 40% na Campanha e 30% no Norte

Chuva em maior volume deve estimular produtor a investir em tecnologia<br /><b>Crédito: </b> carla emanuele colla da rosa / cp memória

Chuva em maior volume deve estimular produtor a investir em tecnologia
Crédito: carla emanuele colla da rosa / cp memória

Na largada do plantio da safra de verão no Estado, o prognóstico de El Niño de intensidade fraca a moderada para os próximos meses surge como um alento ao campo, após a quebra provocada pela estiagem no ciclo passado. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), geralmente, os anos de incidência do fenômeno favorecem a ocorrência de chuvas acima da média histórica na região Sul do país. A previsão, aliada às altas cotações das commodities, devem impulsionar o investimento em tecnologia, aposta o presidente da Comissão de Grãos da Farsul, Jorge Rodrigues. "O cenário indica bom desenvolvimento inicial das culturas de verão", avalia o gerente técnico da Emater, Dulphe Pinheiro Machado.
Segundo o meteorologista da Fepagro e do Irga, Glauco Freitas, as precipitações no RS poderão superar a média em até 40% na Campanha e em até 30% no Norte. "Estes efeitos dependem, contudo, de outros aspectos, como a Temperatura da Superfície do Mar no oceano Atlântico, tanto na proximidade da costa do Nordeste quanto da costa do Sul do Brasil", pondera a meteorologista do Inmet Danielle Barros Ferreira. Para alívio dos arrozeiros, as chuvas ainda podem auxiliar na recomposição das barragens. Novo levantamento da Federarroz, divulgado na semana passada, apontou déficit hídrico para 349,57 mil hectares.
No entanto, a Emater faz um alerta aos triticultores: o excesso de umidade pode afetar a qualidade do produto devido à incidência de doenças fúngicas. O presidente da Comissão do Trigo da Farsul, Hamilton Jardim, ressalta que é prematuro dizer que as lavouras estão comprometidas. Ele admite, entretanto, que não há muito o que fazer a não ser lamentar caso as previsões se confirmem. Mesmo para as culturas de verão, o excesso de chuvas pode atrasar o cultivo, retardando a entrada das máquinas nas lavouras. O meteorologista Freitas, da Fepagro, destaca que nem sempre ano de El Niño é sinônimo de colheita farta. Ele lembra que na safra 2004/2005, quando a seca devastou mais da metade da produção gaúcha, houve incidência do fenômeno, mas com fraca intensidade. "Para a agricultura, tem que chover no momento certo", explica.
Recomendações
– Diante da perspectiva de um bom volume de chuvas, o produtor deve reforçar as práticas conservacionistas e também executar práticas mecânicas de contenção de enxurradas para evitar as perdas de solo, água, fertilizantes e sementes por erosão, como o terraço, a manutenção da cobertura do solo, o plantio em nível e a rotação de culturas;
– O risco de erosão é maior quando a semeadura é realizada no sentido do declive, favorecendo escoamento da água pelo sulco das semeadoras, carregando sementes e fertilizantes.
Fonte: Emater
Entenda o fenômeno
– O El Niño caracteriza-se pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Provoca uma série de eventos atmosféricos capazes de alterar o clima em todo o mundo. O fenômeno climático mais forte manifestou-se nos anos de 1982/1983, quando as temperaturas da água do mar chegaram a ficar sete graus acima do normal, com enchentes nos estados da região Sul e seca na região Nordeste. A última ocorrência do evento foi em 2009/2010.
Fonte: Inmet

Fonte: Correio do Povo