Efeito plataforma infla as exportações gaúchas

Sem a operação contábil da P-63, crescimento cairia a um terço

Patrícia Comunello

AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS/DIVULGAÇÃO/JC

Graças a P-63, a receita do primeiro semestre cresceu quase 31% frente ao mesmo período de 2012

Graças a P-63, a receita do primeiro semestre cresceu quase 31% frente ao mesmo período de 2012

Uma operação contábil envolvendo uma plataforma do pré-sal mudou a história das exportações gaúchas no primeiro semestre. Graças a P-63, a receita cresceu quase 31% frente ao mesmo período de 2012. Sem o US$ 1,63 bilhão da encomenda da Petrobras, que navegou entre Rio Grande rumo à Bacia de Campos (Rio de Janeiro), portanto nunca deixou o território brasileiro, a alta nas divisas seria de 11,8% até junho, assinalou nesta quinta-feira a Fundação de Economia e Estatística (FEE).
Com mais duas unidades (P–55 e P-58) a serem entregues até dezembro (valor de mais de US$ 2 bilhões), os analistas da FEE projetam um ano para não esquecer e para recuperar posições perdidas no ranking nacional. O Estado ficou em terceiro até o mês passado. O economista Bruno Caldas, da FEE, espera que o reforço das plataformas eleve a economia regional para o vice-campeonato. O título não era conquistado desde o primeiro semestre de 2003. Para ajudar a escalada gaúcha, o desempenho inferior das vendas de petróleo e minérios rebaixou o Rio de Janeiro a quarto no ranking.
Mas Caldas lembra que a inclusão do valor é um recurso contábil, aceito pelo Banco Central e Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior (MDIC). Na novela da P-63, a operação comercial foi feita por meio da subsidiária da estatal no Panamá (a medida é adotada em outras contratações de equipamentos para ampliar a exploração da camada pré-sal usando unidades globais de outros continentes), o que gerou fato inédito.
O país da América Central figurou em segundo lugar entre os importadores, alavancado quase que exclusivamente pela despesa com a plataforma. O crescimento em dólares: 19.969,6%. Com alta de 72,4% na despesa com as compras gaúchas, a China não perde a liderança. “O ideal é não considerar a P-63, pois ela é contabilizada como exportação e depois volta como importação. Isso é artificial e distorce os números”, opinou Caldas. O efeito de renda, empregos e demais ganhos da construção são absorvidos na execução.
Na fatia exportadora real, na qual o produto é elaborado no Estado, colocado em um caminhão ou navio para desembarcar fisicamente em seu destino, o trio soja, trigo e milho segue alimentando parte do desempenho externo, com alta de 70,6%, fatia de 24,6%, dos US$ 11,2 bilhões da fatura no primeiro semestre, na conta com plataforma. O peso é de quase 30% dos US$ 9,5 bilhões, na matemática comercial sem o navio gigante. No segundo trimestre, soja e milho mantêm a performance, dobrando no caso da oleaginosa e subindo 450% na receita de milho. O volume de soja chega a 3,9 milhões de toneladas (a safra de 2013 foi de 12,8 milhões de toneladas). O economista da FEE aposta em manutenção desse fluxo até o terceiro trimestre.

AEB prevê déficit comercial de US$ 2 bilhões neste ano

A balança comercial deverá encerrar 2013 com déficit de US$ 2 bilhões, disse nesta quinta-feira o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Ele discursou em São Paulo no evento Brasil-China: Riscos e Oportunidades. De acordo com Castro, o déficit previsto para a balança este ano deriva mais de fatores internos que externos, dado que o total das exportações em volume tem sido mantido e que a dificuldade acontece apenas nos preços.
No front interno, segundo ele, se a Petrobras voltar a exportar, em 2014, a balança comercial voltará a registrar superávit. “O déficit da balança comercial este ano é um ponto fora da curva. É claro que, do ponto de vista externo, se o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) retirar os estímulos da economia americana e começar a aumentar juros, isso pode afetar o comércio exterior do Brasil”, observou. Conforme Castro, nada que o governo fizer ajudará nas exportações. “Pelo contrário, o governo está atrapalhando”, criticou. O presidente da AEB citou a aprovação do Reintegra, mas disse que, mesmo que as vendas externas crescessem, isso não seria suficiente para evitar o déficit de 2012.

Fonte: Jornal do Comércio