ECONOMIA – PIB cresce só 1% em 2017, mas país sai oficialmente da recessão


Números do IBGE demonstram que a economia foi mais uma vez puxada pelo agronegócio, que cresceu 13%

Embora não seja propriamente uma surpresa, o Brasil saiu oficialmente da recessão. O IBGE anunciou na manhã desta quinta-feira (01/03) que a economia cresceu 1% no ano passado.

Nos dias anteriores à divulgação, o mercado estava prevendo algo ligeiramente maior, entre 1,1% a 1,3%.

A publicação do PIB de 2017 põe fim ao declínio da produção, que somou 8,2%, a partir de 2014. Mas a economia está longe de se recuperar da queda provocada pelas barbeiragens da ex-presidente Dilma Rousseff.

Em 2016, o PIB havia recuado 3,5%.

Em valores correntes, o PIB brasileiro do ano passado foi de R$ 6,6 trilhões. O PIB mede o total da produção de bens e serviços.

Em termos setoriais, mais uma vez a produção foi puxada pela agropecuária, que cresceu no ano passado 13%. É o efeito prático da supersafra agrícola, que reduziu no país o preço dos alimentos, e o melhor resultado da série histórica iniciada em 1996.

O setor foi responsável por 0,7% do crescimento total do PIB. Com relação a 2016, ele cresceu no ano passado 29,5%, um aumento prodigioso, com 240 milhões de toneladas de grãos.

O setor de serviços cresceu apenas 1%, enquanto a indústria –apesar da recuperação demonstrada nos dois últimos trimestres – permaneceu praticamente estagnada.

Mas a produção industrial demonstrou um pequeno dinamismo no último trimestre de 2017, com alta de 0,5% em relação ao trimestre anterior. Se a comparação for feita com o último trimetre de 2916, o crescimento terá sido de 2,7%.

Outro dado relevante está no crescimento muito pequeno da renda per capita. Ela aumentou em apenas 0,2%, chegando, já descontada a inflação, a R$ 31.587.

Por outro corte dos números agora divulgados, o consumo das famílias cresceu 1%. Pode parecer insuficiente, mas a percentagem demonstra que as pessoas voltaram a comprar. Em 2016, o consumo das famílias havia recuado 4%.

O consumo das famílias representa perto de 60% do PIB, e sua dinamização sinaliza a possibilidade de crescimento da economia como um todo em 2018, com previsões em torno de 3%.

A qualidade do crescimento é importante pelos efeitos no mercado de trabalho.

Ainda na quarta-feira (28/02), o IBGE havia divulgado sua pesquisa sobre o tema. Por ela, o desemprego, no último trimestre de 2917, ficou em 12,2%, o que significa 12,7 milhões de brasileiros sem trabalho.

Por esses dados, ao longo de um ano a economia gerou apenas 200 mil empregos, o que é irrisório para se pensar em crescimento sustentável.

Além disso, permanece alto o chamado “desemprego por desalento”, que atinge pessoas que, desanimadas, cessaram de procurar uma colocação. Nesse contingente estão perto de 5 milhões de brasileiros.

A pesquisa do IBGE também indicou que entre os empregados há 1 milhão que começou a trabalhar por conta própria, boa parte deles por não ter conseguido colocação formal com carteira assinada.

Em artigo publicado nesta quinta pela Folha de S. Paulo, o presidente Michel Temercomemorou antecipadamente a saída da recessão.

Ele se referiu ao aumento da produção automobilística em 25% e ao final de um período “que nos custou em 11 trimestres de encolhimento”.

NÃO FOI MAIS A MAIOR RECESSÃO

O IBGE trabalhou até dezembro do ano passado com o recuo da economia, entre 2014 e 2016, em 8,6%. Esses números foram revisados, e agora a porcentagem oficial é de 8,2%.

Bem mais que um detalhe, isso permite uma revisão histórica importante.

Se fossem 8,6% de recuo, a recessão petista teria sido a maior da série histórica do IBGE.

Mas agora ela passou a ocupar o segundo lugar, atrás dos 8,5% que a economia recuou no biênio 1981-1983.

A única vantagem comparativa daquele período, que marca o final do regime militar, está no fato de aquela recessão ter demorado nove trimestres. A que agora chega ao fim durou 11 trimestres.

  Por João Batista Natali

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br

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Fonte : Diário do Comércio