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E os ricos reclamam dos emergentes

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Apesar de, em geral, representarem parcelas bem menores das receitas brutas dos produtores do que em países desenvolvidos, os subsídios agrícolas nas economias emergentes continuam em alta, segundo levantamento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A entidade, uma espécie de "clube dos ricos", afirma que no Brasil, por exemplo, o nível de subsídios continua sendo baixo e representa, em média, não mais do que 5% da renda total do agricultor. Ainda assim, avalia que a vasta maioria da ajuda governamental é fornecida através de algumas das formas que mais distorcem o comercio, como garantia de preços mínimos.

No Brasil, afirma a OCDE, uma variedade de commodity pode estar coberta pela política de garantia de preços mínimos, mas o nível dos preços, em todo o caso, não diverge muito daquele praticado no mercado internacional – com exceção de arroz, leite e algodão.

A entidade observa, também que os agricultores brasileiros se beneficiam de juros subsidiados. Nos últimos meses, essa ajuda brasileira, que tem aumentado nos últimos planos de safra anunciados pelo governo federal, tem sido alvo de persistentes questionamentos na Organização Mundial do Comércio (OMC) por parte de parceiros comerciais do país, refletindo a importância da agricultura brasileira no mercado internacional.

Outro país que está na mira dos ricos é a China, onde os subsídios já representam, em média, 15% da renda dos agricultores, ante menos de 5% em 1995. A proteção chinesa para seus produtores de lácteos e carnes é particularmente elevada.

A Indonésia – que, em breve, deverá ser denunciada pelo Brasil na OMC em consequência de barreiras à carne bovina -, oferece uma ajuda que representa quase 20% da renda dos agricultores, muito mais do que na década passada.

A elevação nos subsídios concedidos pelos emergentes, de acordo com a OCDE, reflete crescente disponibilidade de recursos, políticas mais voltadas à agricultura e ênfase na segurança alimentar.

Dos grandes países emergentes, somente na Rússia a ajuda do governo ao agricultor se estabilizou recentemente, em pouco mais de 15% da renda total no campo. Mas isso foi antes do confronto com o Ocidente. Moscou quer agora acelerar a produção doméstica, depois de ter proibido importações de produtos provenientes de diversos exportadores agrícolas, como os Estados Unidos, a União Europeia, o Canadá e a Austrália.

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Fonte: Valor | Por Assis Moreira | De Genebra