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Dúvidas no caminho do IPO da JBS Foods

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A oferta da JBS Foods poderá atrasar, mas não exatamente por eventuais más condições de mercado. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) analisa a concessão de registro de companhia aberta e da oferta para a empresa. Nesses processos é praxe avaliar também as informações referentes à controladora – no caso, a JBS -, e nos últimos meses surgiram na imprensa questionamentos sobre os termos de associação entre as famílias Batista, da JBS, e Bertin, em 2009.

De acordo com fontes, a CVM poderá não conceder o registro para que uma nova empresa do grupo venha à bolsa enquanto todas as dúvidas levantadas sobre esses contratos não estiverem absolutamente esclarecidas. Em reportagem publicada em 22 de agosto, a revista "CartaCapital" afirmou que um suposto acordo secreto entre os Batista e os Bertin teria causado prejuízo aos acionistas minoritários da JBS e à Receita Federal. A JBS comprou os frigoríficos do Bertin em setembro de 2009.

Questionada pela BM&FBovespa sobre o teor da reportagem, a JBS disse que "não há qualquer acordo secreto celebrado entre nós e o Grupo Bertin". No entanto, a revista apresentou em seu site, na terça-feira, um fac-símile do que seria o suposto acordo secreto, o que pode suscitar novos questionamentos.

Conforme o Valor já noticiou, a JBS Foods deseja concluir a oferta em outubro. A empresa e os bancos que coordenam a operação já mantêm reuniões iniciais com investidores sobre a distribuição. Eles não têm tocado nas questões sobre a controladora nessas conversas e o Valor apurou que avaliam que o cronograma não será alterado por conta do imbróglio, uma vez que já apresentaram um esclarecimento à autarquia.

Apesar do desejo de concluir a captação no próximo mês, afirmam que se isso não for possível por condições de mercado, retomarão a oferta com os números do terceiro trimestre, que mantêm a trajetória positiva da empresa.

A expectativa é captar R$ 2,5 bilhões, mas a operação pode alcançar R$ 3,5 bilhões. A JBS Foods foi criada em janeiro passado e reúne atividades de produção e distribuição de produtos processados de alto valor agregado, e produtos de aves e suínos. Ela concentra diversas aquisições feitas pela JBS entre 2012 e 2014, com destaque para a da Seara.

Isoladamente, o negócio Seara representou cerca de 76,5% da receita líquida da JBS Foods no primeiro semestre de 2014, conforme o prospecto da oferta da empresa.

Nessa abertura de capital, a controladora JBS vai vender uma parcela de ações e também haverá recursos para o caixa da empresa. Eles serão usados para novas aquisições, infraestrutura e também para o pagamento de dívidas. A Foods está sendo avaliada em cerca de R$ 20 bilhões, que engloba a dívida mais valor de mercado da empresa. A intenção do grupo é fazer com que o mercado enxergue o valor de suas várias unidades de negócio.

Procurada pelo Valor, a CVM informou que o assunto está em análise na autarquia e "não será possível realizar comentários adicionais". Já a JBS e a JBS Foods não comentaram por conta do período de silêncio da oferta. O coordenador da distribuição, Itaú BBA, não retornou ao pedido de entrevista.(Colaborou Luiz Henrique Mendes, de São Paulo)

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Fonte: Valor | Por Ana Paula Ragazzi | Do Rio