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Doação de RR2 alerta sojicultores

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Aprosoja avalia interpelação judicial para proibir cultivo da variedade antes da liberação comercial pelo mercado chinês

Fazenda Tarumã fez testes na safra anterior e agora deve semear 15 ha com grãos ofertados pela multinacional<br /><b>Crédito: </b> JOSE DOMINGOS L. TEIXEIRA / cp memória

Fazenda Tarumã fez testes na safra anterior e agora deve semear 15 ha com grãos ofertados pela multinacional
Crédito: JOSE DOMINGOS L. TEIXEIRA / cp memória

Antes mesmo do lançamento comercial da soja transgênica Intacta RR2 Pro, a Monsanto já começou a contatar produtores com a intenção de doar sacas das sementes com a nova tecnologia. No Rio Grande do Sul, o gerente técnico da Fazenda Tarumã, localizada em Jóia, José Domingos, informa que já tem em mãos um contrato de doação de 700 quilos de sementes para cultivar 15 hectares no ciclo 2012/2013. A intenção é semear a área, "obedecendo os princípios de interesse do Brasil". Na safra passada, a Fazenda Tarumã foi umas das 90 propriedades de 61 municípios gaúchos que testaram a variedade. No país, foram 500 sojicultores de 275 municípios.
A notícia preocupou lideranças da Associação de Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja/RS) que temem a proliferação da tecnologia nos campos gaúchos antes da liberação comercial da variedade pelo maior importador do grão, a China. O alerta é que uma possível contaminação de lavouras cultivadas com a RR1 e não transgênicas prejudique as exportações do Estado. Para evitar o pior cenário, a Aprosoja estuda uma interpelação judicial para impedir que a Monsanto disponibilize a soja RR2 aos produtores, além de responsabilizar a empresa em caso de prejuízos econômicos. "Queremos proteger o produtor. E isso é uma questão de soberania nacional", disse o presidente interino da entidade, Pedro Nardes. A decisão virá após assembleia no sábado, em Santo Ângelo.
Ontem, a Aprosoja/MT emitiu comunicado aconselhando os agricultores a não plantarem a RR2 enquanto a variedade não for aprovada para importação no mercado chinês. "Todos os produtores brasileiros ainda têm amargas lembranças da enorme crise de preços causada pela recusa de várias cargas de soja brasileira pelos chineses em 2004", diz o texto. Em 2011, os embarques para a China somaram 22,7 milhões de toneladas, 31,6% da safra 2010/2011, o equivalente a 11,2 bilhões de dólares. Segundo a entidade, a Monsanto se comprometeu a não comercializar o produto sem o aval dos principais destinos de exportação. Até o momento, Argentina e União Europeia aprovaram a RR2. A Aprosoja/MT também chama a atenção para o fato de que "a empresa ainda esta condicionando o plantio desta soja à assinatura de um contrato, o qual repassa toda e qualquer responsabilidade ao produtor em caso de contaminação". Segundo o assistente técnico de soja da Emater Alencar Rugeri, o produtor deve se pautar pelas recomendações oficiais na hora do cultivo, que começa na segunda quinzena de outubro. Procurada, a Monsanto não emitiu posicionamento até o fechamento desta edição.

Fonte: Correio do Povo