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Do pasto à nuvem, no ritmo da tecnologia

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O percurso de 40 quilômetros de estrada de chão entre a porteira até a sede da fazenda Fortaleza do Guaporé já dá uma demostração das dimensões envolvidas. Maior que o município de São José do Rio Preto (SP), a propriedade, que conta com balsa e 220 quilômetros de estradas, torna-se cada vez mais digital.

Comandada por Paulo Tripoloni, sócio da empreiteira paranaense Sanches Tripoloni, a fazenda está adotando um sistema de gestão incomum na pecuária do país. Em implementação, um software monitora, individualmente, o perfil dos fornecedores de bezerros e o peso do rebanho de 25 mil cabeças.

Diariamente, o consumo de ração dos animais confinados no sistema de engorda intensiva são enviados para a internet – e os dados são armazenados na nuvem. De Maringá (PR), o genro de Tripoloni, Beto Maldonado, acessa uma série de informações para gerir a propriedade.

Além da produção de gado e de milho para abastecer o confinamento, Paulo Tripoloni planta soja. Na última safra agrícola (2016/17), foram semeados 14,4 mil hectares.

Com o acompanhamento digital dos dados de produtividade, Tripoloni acredita que o rebanho da Fortaleza do Guaporé pode mais do que dobrar, para 70 mil cabeças. Em busca desse objetivo, o empresário está ampliando a estrutura de confinamento, que atualmente pode abrigar 13 mil cabeças de gado de uma vez só. O confinamento da fazenda, que conta com cochos cobertos para evitar as perdas de ração nas chuvas, terá capacidade estática para cerca de 18 mil bovinos no próximo ano.

Para ampliar o rebanho da propriedade, Tripoloni também precisa se certificar que a criação dá resultado financeiro. A partir do sistema de gestão, a ideia dele é acompanhar a rentabilidade da pecuária em cada etapa de produção – seja na recria a pasto ou na estrutura de confinamento.

Para viabilizar a criação intensiva de boi mesmo em tempos de chuvas escassas, ele está investindo na produção de feno, pouco usual no Brasil. Após investir R$ 1,4 milhão em maquinário, Tripoloni planta o campim que virará feno na área que recebe soja durante a safra.

Por Luiz Henrique Mendes | De Nova Lacerda (MT)

Fonte : Valor