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Dilma demite Palocci e nomeia Gleisi

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Fonte: Raymundo Costa e Raquel Ulhôa |De Brasília

Celso Júnior/AE

Gleisi: adepta do ‘oposição fala e governo vota’

Após 23 dias de crise, a presidente Dilma Rousseff demitiu ontem o ministro Antonio Palocci e nomeou a senadora Gleisi Hoffmann, do PT do Paraná, para a chefia da Casa Civil. Palocci perdeu apoio da maioria do PT. Sua manutenção ameaçava envolver o governo em uma crise no Congresso, apesar da ampla maioria da base de apoio da presidente. Havia o risco de a oposição conseguir reunir o número necessário de assinaturas para instalar uma CPI a fim de investigar o enriquecimento do ex-ministro, cujo patrimônio foi multiplicado por 20 em quatro anos, segundo reportagem da "Folha de S. Paulo".

Em rápida entrevista concedida ontem, a nova ministra disse que se dedicará à gestão. "A presidente disse que meu perfil se encaixa naquilo que ela pretende agora na Casa Civil, de acompanhamento dos projetos do governo. É com isso que estou comprometida", disse.

Gleisi é uma técnica, especialista em orçamento, mas não deve restringir sua participação política no governo. Tem ideias claras sobre a gerência de governo. Ela condena, por exemplo, a leniência de alguns de seus agora colegas de governo com o "corporativismo". Mas acha que o Ministério da Coordenação Política e Relações Institucionais, ocupado pelo petista fluminense Luiz Sérgio, deve ser fortalecido.

Como senadora, sempre foi favorável a que a situação fizesse valer sua maioria. A nova ministra, por exemplo, acha que o governo deve votar logo o Código Florestal, como quer a presidente da República.

O vice-presidente, Michel Temer, disse a aliados que a nomeação de Gleisi Hoffmann tinha pelo menos um mérito: era uma escolha de Dilma e não uma imposição do PT de São Paulo. De fato, Gleisi tem relações antigas com a presidente. Dilma era do conselho de administração de Itaipu, enquanto Gleisi era diretora financeira. É certo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi decisivo na escolha – além de amigo de Gleisi, a senadora é mulher de seu ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, hoje nas Comunicações.