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DESEMPENHO RUIM | Seca faz PIB do primeiro trimestre ficar negativo

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Resultado e suas consequências fazem especialistas projetar desempenho fraco de abril a junho

Com recuo de 1,8% no primeiro trimestre, o Rio Grande do Sul deve amargar um Produto Interno Bruto (PIB) ainda fraco nos três meses seguintes. O recuo da economia gaúcha, liderado pelas perdas no campo em razão da seca, tende a se acentuar com os reflexos na indústria e nos serviços.
Em 10 anos, este é o terceiro pior resultado para um primeiro trimestre, conforme série histórica da Fundação de Economia e Estatística (FEE). Desde então, apenas em 2005, quando houve a pior seca em décadas, e 2009, efeito da crise financeira mundial iniciada nos EUA, o Estado havia registrado desempenho pior.
O resultado negativo do começo deste ano foi fortemente impactado pela agropecuária, que recuou 27% em relação ao primeiro trimestre de 2011. Os produtos agrícolas que mais contribuíram para a queda foram arroz (-13,5%), fumo (-21,6%) e milho (-44,3%). As perdas nas lavouras de soja, que tiveram quebra superior a 40%, devem aparecer com mais força nos resultados do segundo trimestre.
– Isso nos faz prever um indicador ainda pior, pela importância do grão para o Estado, tanto em volume quanto em valor de comercialização – diz Martinho Lazzari, economista da FEE.
A retração acentuada do PIB gaúcho, abaixo do nacional no período, que foi de 0,2%, pode ser contabilizada em cifras. As perdas diretas nas lavouras, conforme a Federação da Agricultura no Estado (Farsul), chegaram a R$ 5,8 bilhões. Somados os impactos indiretos nos demais setores, os prejuízos alcançam R$ 17,1 bilhões.
– A estiagem não é só perda de grãos, mas também menor atividade industrial e serviços – aponta Antônio da Luz, economista da Farsul.
RS cai para quinto lugar na participação das exportações
A redução de 17,9% nas vendas externas de produtos básicos impactou no saldo negativo das exportações gaúchas no primeiro semestre. As principais commodities agrícolas, lideradas pela soja, tiveram queda de 19,6% em razão da estiagem.
– O resultado negativo encolheu a participação gaúcha nas vendas externas do país. Caímos para a quinta posição, ao responder por 7,3% da pauta brasileira de exportação – disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), Heitor Müller.
Ao contrário da agropecuária, indústria e serviços tiveram desempenho positivo (veja acima). Conforme Müller, a melhora projetada para a indústria de transformação, prevista inicialmente para o terceiro trimestre, foi postergada para o fim do ano – quando a economia deve ganhar fôlego com as vendas de Natal.
– A indústria comprou menos matéria-prima para o segundo semestre. Cerca de 35% delas estão com estoques exagerados – afirmou Müller, lembrando os altos custos de produção e a concorrência dos importados.
Foi a primeira vez que a FEE divulgou um levantamento trimestral do PIB. Até 2011, os dados da economia gaúcha eram calculados por meio de outro indicador, que não incluía alguns setores, como a construção civil.
joana.colussi@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI

Fonte: Zero Hora