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Desembolsos do BNDES para aportes agrícolas de usinas já superam 2012

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Leo Pinheiro/Valor / Leo Pinheiro/Valor

Desembolsos cresceram 237% no semestre, segundo Cavalcanti, do BNDES

Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos agrícolas no setor sucroalcooleiro estão se recuperando. No 1º semestre deste ano, alcançaram R$ 1,311 bilhão, 237% acima do registrado no mesmo período de 2012. O montante já é maior que os R$ 1,2 bilhão desembolsados para essa área em todo o ano passado.

Do total do semestre, R$ 611 milhões foram via Programa de apoio à renovação e implantação de novos canaviais (Prorenova). O restante, teve origem em investimentos em máquinas e equipamentos agrícolas comprados nas condições de taxas de juros mais baixas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI).

O aumento nos desembolsos do Prorenova é resultado de um esforço do banco para tornar mais acessível às usinas e produtores de cana os recursos do programa, lançado em 2012 com orçamento de R$ 4 bilhões. O mercado estima que no ciclo 2012/13 o setor sucroalcooleiro tenha investido mais de R$ 6 bilhões em áreas de cana. Mas o BNDES ficou com uma fatia de menos de 10% desses investimentos, uma vez que o Prorenova ainda tinha algumas barreiras, entre elas, a que restringia a participação de empresas com capital estrangeiro e a própria taxa de juros, considerada alta pelo setor.

Este ano, com boa parte das restrições sanadas, o banco conseguiu desembolsar R$ 611 milhões por meio desse programa, 33% acima dos R$ 459 milhões de 2012. De demanda de 2012, há ainda cerca de R$ 300 milhões a serem desembolsados. Há ainda os R$ 700 milhões que entraram em carteira em 2013, explica o chefe do Departamento de Biocombustíveis do BNDES, Carlos Eduardo Cavalcanti.

Somente em 2012, o banco formou uma carteira de R$ 1,4 bilhão do Prorenova, dos quais 1,070 bilhão foram desembolsados – entre 2012 e 2013. Já a carteira formada em 2013, de R$ 700 milhões, ainda não gerou desembolsos. Segundo o banco, a expectativa é que a carteira deste ano alcance níveis acima de R$ 3 bilhões em seis meses, ou seja, até o fim deste ano. "É preciso esclarecer que os desembolsos vão acontecer ao longo de 2013 e 2014", explica o gerente setorial do departamento de Biocombustíveis, Artur Milanez.

Para aumentar a atratividade do programa, o banco reduziu a taxa de juros, ao fixá-la em 5,5%, ante o custo de 8,8% a 9% existente anteriormente. Além disso, continua Milanez, no início deste ano o banco ampliou para R$ 5,450 mil o limite de financiamento por hectare, antes de R$ 4,350 mil.

Considerando todas as linhas de crédito destinadas ao setor sucroalcooleiro, o BNDES liberou R$ 3,481 bilhões no primeiro semestre de 2013, 68% acima dos R$ 2,068 bilhões do primeiro semestre de 2012. Além do crescimento na área agrícola, o banco registrou aumento de 69%, para R$ 2,148 bilhões, nos desembolsos para projetos industriais, a maior parte ampliações de usinas já existentes. A exceção foi o projeto da usina de etanol de segunda geração da GraanBio, para a qual foram desembolsados R$ 200 milhões.

A retração no semestre só foi observada nos desembolsos para cogeração de energia, que recuaram 93%, para R$ 23 milhões. Para o ano de 2013, o BNDES espera que os desembolsos totais ao setor alcancem R$ 6 bilhões, ante R$ 4,1 bilhões de 2012.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo