Desafios aumentam com urbanização

Fonte: Valor | Por Guilherme Meirelles | Para o Valor, de São Paulo

Estudo da Universidade de Harvard assegura que ao final de 2011 o planeta Terra superará a marca de 7 bilhões de habitantes, com 50% vivendo em áreas urbanas. Em 2050, projeta o estudo, os centros urbanos abrigarão 70% da população.

Nos países em desenvolvimento, caso do Brasil, esse processo de urbanização deve ser mais acelerado, gerando problemas na área de saneamento, principalmente onde ainda há déficits de atendimento à população.

Para o engenheiro civil Helio Narchi, do Instituto Mauá de Tecnologia, os principais problemas nos centros urbanos são a coleta e tratamento de esgoto e a drenagem adequada de solo.

Segundo o Atlas de Saneamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 55,1% das 210 grandes e médias cidades pesquisadas possuem rede de esgoto – 68,8% delas recebem o devido tratamento de Estações de Tratamento de Esgotos.

Como exemplo da falta de saneamento básico, Narchi cita Altamira (PA), onde será construída a futura usina hidrelétrica de Belo Monte. Com 100 mil habitantes, Altamira não possui rede de coleta e tratamento de esgoto, que só virá por meio de compensação ambiental. Para o professor, a ocupação desordenada das cidades e a impermeabilização do solo pode ser minimizada por meio de obras preventivas, como canalização de córregos e de piscinões.

Além disso, Narchi sugere a criação de leis, que já existem em nível estadual e municipal em São Paulo, que obriguem proprietários de áreas impermeáveis acima de 500 metros quadrados a instalar caixas de retenção de águas pluviais, capazes de reter a água da chuva e retardar a vazão para as vias públicas, o que reduziria a incidência de enchentes.

Para Charles Scharamm, diretor de infraestrutura da KPMG Brasil, o setor de saneamento não pode depender somente do poder público. Ele defende a presença da iniciativa privada, seja em PPPs (Parcerias Público-Privadas), joint-ventures ou concessões.

Estudo da KPMG indica que projetos de saneamento que dependerem unicamente de investimento público demorarão entre 30 e 40 anos para atingir um grau de universalização de atendimento, enquanto que a presença de PPPs é capaz de reduzir este prazo para entre 10 e 15 anos.

Quanto ao destino do lixo, há um conjunto regulatório definido pelo Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que estipula para 2014 o fim dos lixões e determina que todos os materiais recicláveis cumpram o ciclo da logística reversa em que o fabricante terá a responsabilidade de recolher o seu produto para reciclagem. As soluções para o lixo orgânico e inorgânico podem vir por meio de aterros sanitários ou usinas de incineração, opção defendida por Filipe Souza, diretor de reestruturação da consultoria Alvarez & Marsal.

Para o biólogo Samuel Barreto, coordenador do Programa Água Para a Vida WWF-Brasil, as grandes metrópoles correm risco de desabastecimento por conta da falta de planejamento. "Hoje, além da bacia da Cantareira, a Região Metropolitana de São Paulo está sendo abastecida pelo sistema Guarapiranga-Billings devido ao crescimento desordenado dos municípios", alerta.