.........

Desafio de conter consumo é maior na agricultura

.........

Até 2030, o mundo precisará de 40% a 50% a mais de água, energia e alimentos para atender à crescente demanda estimulada principalmente pelo avanço da urbanização nos países emergentes. Estima-se que, pelos próximos 40 anos, a cada semana no planeta será criada uma cidade de 1,5 milhão de habitantes. Isso ampliará a interdependência dos países por insumos naturais e poderá acirrar conflitos entre nações. Essas são algumas das questões levantadas pelo estudo "Cenários sob Nova Lentes", divulgado recentemente pela Shell, que analisa o setor energético no planeta até 2100.

Hoje a agricultura representa cerca de 70% do uso global de água doce. O uso das melhores práticas no setor será cada vez mais essencial para produtores do mundo inteiro. Cerca de 20% do consumo está na indústria, setor em que os fornecedores de energia estão entre os maiores consumidores industriais do insumo. Além de usada para gerar energia, a água é necessária para a perfuração, inundação de poços, refino de petróleo e produção de biocombustíveis. Segundo estimativas do International Water Management Institute, a indústria energética dos EUA responde sozinha por 40% de toda a água doce captada pelo setor industrial no planeta.

Os modelos de energia da Shell apontam que, em 2060, o consumo de água doce pelas indústrias no mundo poderá ser o dobro do atual, o que aumentará eventuais pressões. A expansão virá por um conjunto de fatores: aumento da geração de energia elétrica a partir do carvão, maior uso de biocombustíveis e ampliação da intensidade da utilização do insumo na produção de óleo e gás. "Essa demanda crescente ampliará a interdependência entre os recursos, sendo que a maioria dos países não é completamente autossuficiente em energia, água e alimentos, o que cria diversas questões: quais serão as compensações entre segurança alimentar e energética nacionais? Como os mercados globais de commodities afetarão a segurança dos recursos quando a volatilidade aumentar", pondera Wim Thomas, estrategista-chefe da Shell, que esteve no Brasil em junho para apresentar o estudo da empresa a especialistas na área.

A interdependência entre água e energia poderá comprometer um dos mais promissores elos da cadeia de energia dos últimos anos: a exploração de gás não convencional, como xisto ou outros hidrocarbonetos que estão presos em formações rochosas impermeáveis em áreas subterrâneas profundas. Por serem rochas muito duras, a produção é possível somente quando a rocha que contém esses gases é fraturada sob pressão hidráulica, em uma técnica chamada de fracionamento.

Segundo estimativas, o gás não convencional de xisto já responde por 15% da produção mundial de gás e poderá elevar essa fatia para 40% ao longo dos próximos anos. Prevê-se que a base total dos recursos seja equivalente a cerca de 100 anos de gás global atual. Obter água para o fracionamento poderá ser um problema em áreas onde o insumo é escasso.

Há também preocupação de especialistas de que a técnica de fracionamento possa fazer com que o gás passe para aquíferos de águas superficiais. Até o momento, a tecnologia tem aceitação na América do Norte, mas é proibida em países da Europa, como a França. (RR)

© 2000 – 2013. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/empresas/3211316/desafio-de-conter-consumo-e-maior-na-agricultura#ixzz2a9dVyZXw

Fonte: Valor | Por De São Paulo