Deputados usam máscaras para analisar Código Florestal após tumulto

Durante tumulto envolvendo estudantes e seguranças da Assembleia Legislativa, gás de pimenta foi liberado

Os deputados precisaram usar máscaras por causa do gás de pimenta liberado em um dos corredores de acesso ao plenário Foto: Mirelle Irene / Especial para Terra Os deputados precisaram usar máscaras por causa do gás de pimenta liberado em um dos corredores de acesso ao plenário Foto: Mirelle Irene / Especial para Terra

  • Mirelle Irene Direto de Goiás

O primeiro dia de autoconvocação da Assembleia Legislativa de Goiás foi marcado, nesta segunda-feira, por um tumulto entre estudantes e a equipe de segurança da Casa. A confusão começou quando os estudantes – cerca de 60 pessoas, a maioria universitários – alegaram ter sido barrados ao acesso as galerias do plenário, que tinha na pauta, dentre outros projetos, o Novo Código Florestal do Estado.

Um grupo de seis manifestantes tentou entrar pela porta dos fundos e foi contido, segundo os manifestantes, com truculência pela equipe de segurança da Assembleia. Gás de pimenta foi usado na ação, mas seguranças e estudantes não assumiram a culpa pela liberação da substância. Os efeitos do gás obrigaram deputados e funcionários da Casa a usarem máscaras.

Segundo um dos líderes dos estudantes, Flávio Batista, ao grupo foi negado o direito de acompanhar a votação do Código Florestal das galerias. Tratamento diferente, de acordo com ele, ao dispensado aos produtores rurais, que lotaram o espaço destinado ao público no plenário da Assembleia. "Há um despreparo da segurança. Nós queremos simplesmente dialogar, entrar no plenário para fazer nossa ação, que é garantida pela Constituição. Isso mostra o posicionamento deste projeto, que não dialoga com a sociedade civil e com o pequeno produtor", disse.

Flávio garante que não foram os estudantes que levaram os sprays de pimenta para o protesto. "Com certeza não fomos nós. Não nos organizamos neste sentido, nossa ação é pautada no debate. Não foi alguém do nosso grupo", disse.

Os estudantes afirmaram, ainda, que foram revistados pela segurança para entrarem no hall do prédio, onde se concentraram, após serem barrados para as galerias.

O chefe de Divisão da Polícia Legislativa da Assembleia, Cleiton Barros, garante que os agentes responsáveis por manter a ordem no momento do tumulto agiram dentro dos limites. Ele negou que houve uso do spray de pimenta nos estudantes, como alegado por eles. "Não partiu do meu grupo. E naquela confusão não temos como identificar (quem foi). O que houve foi uma fumaça, que eu não sei de onde saiu. Pelo cheiro, indica que foi mesmo gás de pimenta, spray", disse. Ele acrescentou que nenhum estudante foi detido, e que os manifestantes saíram por sua livre e espontânea vontade. "Não quisemos prender para não aumentar a confusão", justificou.

Segundo a Federação dos Agricultores, 700 produtores foram convocados para fazer pressão nos deputados estaduais para a aprovação do Novo Código Florestal, já que existe uma nova legislação nacional ambiental vigente. "É preciso que os produtores tenham segurança jurídica. Neste sentido, a aprovação do Código é extremamente necessária. E quero ressaltar que não vai aumentar o aumento do desmatamento – a legislação prevê desmatamento zero", disse o presidente da Faeg, José Mario Scheriner.

Sobre o protesto dos estudantes, o líder ruralista disse que é preciso expressar as opiniões "de forma ordeira". "Não dá para forçar a barra. Isso não é bem vindo. Devem ser respeitados os direitos de todos", disse. Em meio aos protestos, o projeto que institui o novo Código Florestal recebeu emendas em plenário e foi encaminhado às comissões técnicas .A primeira votação deve acontecer na terça-feira.

Estudantes entraram no prédio da Assembleia para protestar contra o Código Florestal Foto: Mirelle Irene / Especial para Terra Estudantes entraram no prédio da Assembleia para protestar contra o Código Florestal Foto: Mirelle Irene / Especial para Terra

Fonte: Terra