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Depois do café, Armajaro visa expansão em açúcar no país

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Daniel Wainstein/Valor / Daniel Wainstein/Valor
"O modelo de negócios ainda está sendo desenvolvido. Mas, certamente, não será uma réplica dos já existentes", afirma o diretor de açúcar, Eduardo Rocha

A inglesa Armajaro Trading, conhecida pela forte atuação global nos mercados de cacau e café, faz nesta safra sua primeira originação de açúcar diretamente de um escritório no Brasil. Até então, a operação local era feita a partir da sede da empresa, em Londres, estratégia que mudou desde outubro do ano passado. Apesar de a prioridade neste momento ser a expansão de market share por meio de investimentos em logística, a empresa não descarta se posicionar via compra de participação em usinas no futuro.

Com os pés fincados aqui, a trading, que globalmente faturou US$ 2,9 bilhões no ano fiscal encerrado em setembro de 2011, tem meta mais agressiva de ampliar sua participação no mercado brasileiro. Nesta temporada 2012/13, o objetivo é movimentar em torno de 350 mil toneladas da commodity a partir do Brasil – 35% do açúcar que a empresa pretende negociar em todo o mundo (1 milhão de toneladas). Além da estrutura em São Paulo, que conta com uma equipe de seis pessoas, a Armajaro Trading negocia açúcar a partir de seus escritórios de Cingapura e da Tailândia. Origina a commodity também da Austrália e de países da América Central.

O diretor da área de açúcar do Brasil, o executivo Eduardo Rocha (ex-Czarnikow), explica que na próxima temporada brasileira, a 2013/14, trabalha com o plano de ampliar os volumes de açúcar em 30%, para patamares próximos de 450 milhões de toneladas.

Com 14 anos de atuação no comércio da commodity, o executivo reconhece quão concentrada está a comercialização de açúcar no país – que nos últimos anos foi alvo de um forte movimento de consolidação de usinas. Segundo levantamento do mercado, em torno de 55% do volume de cana-de-açúcar processado no Brasil pertence diretamente, ou via acordo comercial, a apenas dez grupos produtores e comercializadores da commodity.

A companhia inglesa aposta em uma estratégia diferenciada para abocanhar uma boa fatia do mercado do Brasil, que é o maior exportador de açúcar do mundo, com 50% do volume total transacionado. O modelo de negócios ainda está sendo desenvolvido, explica o executivo, mas certamente, não será uma réplica dos já existentes. "Buscamos atuar com mais flexibilidade ", completa.

Ele se refere a negociar de maneira mais flexível com clientes em operações, por exemplo, de carregamento de estoques e de precificação do produto. "A intenção é prover soluções comerciais mais customizadas", acrescenta Rocha. A Armajaro Trading, que opera com originação de açúcar FOB (posto no navio) e na usina (posto na região produtora), também está estruturando no Brasil um serviço de financiamento às indústrias de açúcar ("trade finance").

A despeito da estratégia que está sendo traçada para o mercado brasileiro, Rocha reconhece que a concentração do comércio de açúcar no país oferece um desafio às empresas que atuam apenas como trading, como é o caso da Armajaro.

Há alguns meses, a empresa foi até alvo de rumores de que estaria interessada em comprar participação em usinas sucroalcooleiras no Brasil. Mas o diretor garante que a empresa não tem intenção de entrar no negócio de produção de açúcar, pelo menos, neste momento. "O foco agora é ganhar market share na operação de trading por meio de outros tipos de investimento, tais como distribuição e logística de açúcar. Nossa estratégia de posicionamento em ativos de produção da commodity permanece em aberto", esclarece.

Além das grandes tradicionais empresas produtoras de açúcar do país, como Cosan / Shell e as unidades associadas da comercializadora Copersucar, o setor sucroalcooleiro do Brasil ganhou nos últimos anos a presença de tradings globais da commodity, como a francesa Louis Dreyfus Commodities, atualmente a segunda maior sucroalcooleira do país, a americana Bunge, além da trading asiática Olam, que está em fase de conclusão da compra de uma usina em Minas Gerais.

As usinas clientes da Armajaro estão tanto no Centro-Sul como no Nordeste e são grandes a médios produtores da commodity. Na outra ponta, os clientes que compram o açúcar são indústrias de alimentos com atuação global.

Os volumes previstos pela Armajaro para negociação de açúcar brasileiro na atual temporada, 2012/13, se distribuem igualmente entre açúcar branco e bruto. A tendência, segundo ele, é que com o aumento da escala, a presença do produto bruto avance de forma relativa. "Mas o tipo branco continuará sendo muito forte na nossa estratégia", esclarece.

Os volumes da trading, obviamente, são ainda pequenos se comparados ao total de 36,8 milhões de toneladas de produção prevista para todo o Brasil no ciclo em curso, o 2012/13. O executivo avalia que na próxima temporada, a 2013/14, a região Centro-Sul deve ter moagem recorde de cana, superior a 560 milhões de toneladas.

Contexto

A Armajaro Trading começou a operar no Brasil em 2008 com originação de café, dez anos depois de iniciar seus negócios globais, com cacau. Ontem, sem informar os motivos, a empresa anunciou a saída de seu CEO global, Richard Ryan. Atualmente com presença em 22 países, a trading inglesa é controlada pela Armajaro Holdings Limited que, entre outros negócios, controla a Armajaro Asset Management (AAM) – que tem sob sua gestão uma carteira de US$ 1,5 bilhão. Segundo informações da Dow Jones Newswires, em 1º de outubro a AAM vai lançar um fundo de ações (Armajaro Global Financials Fund) que deverá iniciar a operação com até US$ 100 milhões sob sua gestão e planeja negociar ações de bancos, empresas de seguros e outras instituições financeiras.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo