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Depois de resultados fracos e calote no Brasil, americana CHS muda comando

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A CHS, maior cooperativa agrícola dos Estados Unidos, anunciou que seu conselho de administração nomeou, na segunda-feira, um novo CEO, em meio à queda em seus rendimentos globais e ao calote milionário sofrido no Brasil. A cooperativa era um dos maiores credores da Seara Agroindustrial, do Paraná, que entrou em recuperação judicial no mês passado.

Em nota, a CHS informou que Jay Debertin assumiu imediatamente o cargo, em substituição a Carl Casale, que por seis anos comandou a cooperativa. Em entrevista à agência Reuters, Debertin afirmou ser ainda cedo para compreender como o calote da empresa paranaense afetará os resultados da cooperativa como um todo. "A troca do comando foi motivada por uma série de motivos diferentes. Não vejo [o calote da Seara] como causa e efeito", disse o executivo, que desde 1984 trabalha na cooperativa, sediada em Minnesota.

A Seara Agroindustrial pediu recuperação judicial em 20 de abril para reestruturar dívidas de R$ 2,10 bilhões. A empresa – que não tem relação com a Seara, pertencente à JBS – teria deixado de pagar à CHS cerca de R$ 650 milhões, de acordo com fontes do mercado.

Além dos bancos, produtores rurais também ficaram sem receber pela soja entregue. Segundo João Dimas, membro do sindicato rural patronal de Bela Vista do Paraíso, só na região norte do Paraná cerca de 700 produtores foram afetados – a Seara comprava grãos de produtores de outras regiões do país. "A dívida chega a R$ 100 milhões. E o problema é que muitos são produtores pequenos, que não têm fôlego financeiro para enfrentar uma situação dessa", disse Dimas.

À época da divulgação da sua recuperação judicial, a Seara afirmou que a crise econômica do Brasil, em especial o aperto no crédito, retirou sua capacidade de operar. Com sede em Sertanópolis, no norte paranaense, a companhia gerencia propriedades rurais e atua no transporte, na comercialização e na distribuição de grãos.

O calote da Seara só piorou uma situação financeira já delicada para a CHS. A cooperativa americana registrou perdas de US$ 9,3 milhões no segmento de agricultura no segundo trimestre do ano fiscal de 2017, encerrado em fevereiro, três vezes mais que no mesmo trimestre do ano passado. Em 2016, o lucro líquido da companhia recuou para US$ 424 milhões, ante US$ 781 milhões no ano anterior.

Procurada pelo Valor, a CHS negou que a mudança de comando esteja relacionada ao problema com a Seara. A troca, segundo informou, já havia sido planejada.

Fonte: Valor | Por Bettina Barros | De São Paulo