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Demanda comprova necessidade de leilões de estoques, diz Sindarroz

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Na última sexta-feira (31/8), foram negociadas 87% das 50 mil toneladas ofertadas, a um preço médio de R$ 35,80 por saca, valor 12% superior ao fixado na abertura do leilão

por Agência Estado

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Governo tem hoje 1,56 milhão de toneladas de arroz nos estoques, das quais 1,53 milhão estão depositadas no RS

A demanda por arroz do governo, registrada no último leilão de estoques, realizado na sexta-feira (31/8), sinaliza ao governo a necessidade de manter as operações, avalia oSindicato das Indústrias do Arroz no Rio Grande do Sul(Sindarroz). Foram negociadas 87% das 50 mil toneladas ofertadas, a um preço médio de R$ 35,80 por saca, valor 12% superior ao fixado na abertura do leilão. "Ficou comprovada a necessidade dos leilões, e a oferta de 50 mil toneladas é o mínimo dos mínimos do que precisamos", disse o presidente do Sindarroz, Elton Doeler.
Os leilões atendem a pedido do sindicato, que reclamava de dificuldade de abastecimento. Na semana passada oMinistério da Agricultura sinalizou a realização de leilões quinzenais. O governo tem hoje 1,566 milhão de toneladas de arroz nos estoques, das quais 1,536 milhão estão depositadas no Rio Grande do Sul.
Doeler argumenta que os produtores estão retendo os estoques remanescentes e por isso é necessário que o governo atue para garantir o abastecimento da indústria. Doeler destaca que as indústrias não querem que a oferta dos estoques públicos pressione os preços do cereal, hoje acima de R$ 35 a saca de 50 quilos, mas diz que "a faixa de oscilação ideal seria entre R$ 25 e R$ 35".
Para a Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), não há tendência baixista para os preços após o leilão. Renato Rocha, presidente da entidade, aponta que "os leilões abrem espaço nos estoques e ajudam a desovar arroz de safras passadas", o que também é positivo. No entanto, ele contesta a afirmação da indústria de que o mercado esteja desabastecido, argumentando que no momento o produtor precisa escoar o arroz remanescente para bancar parte do custeio da safra nova e pagar as dívidas.
Na opinião do diretor comercial do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), Rubens Silveira, a sustentação dos preços é importante para incentivar o plantio e garantir a oferta no próximo ano. Segundo ele, se o governo agir para derrubar os preços, é provável que haja um recuo na área da safra que ainda está sendo planejada.
Silveira avalia que os preços do arroz podem atingir patamares mais elevados que os atuais R$ 35 por saca. "Quem pagou menos comprou arroz velho, de safras antigas, indicando que o arroz novo está valendo mais". Ele complementa ainda que há escassez do cereal em outros Estados, como Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso, motivando compras no mercado gaúcho. Ainda assim, não deve faltar arroz para atender a indústria.
Na semana passada o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Caio Rocha, disse que o preço do arroz a R$ 36 no Rio Grande do Sul era indicativo de que o governo precisava agir para segurar o preço e garantir abastecimento.

Fonte: Globo Rural