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Demanda alimentar opõe formas de produção e preservação

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Fonte: JORNAL DO SENADO-DF

Entre o desafio de aumentar a produção agrícola do Brasil e a necessidade de preservação do meio ambiente, as opiniões se dividiram no debate "Alimento: como produzir para atender às necessidades", promovido ontem pela Subcomissão Permanente de Acompanhamento da Rio+20 e do Regime Internacional sobre Mudanças Climáticas, vinculada à Comissão de Relações Exteriores (CRE).

Sílvio Porto, diretor da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB), alertou para a insegurança alimentar no mundo, argumentando que a demanda por alimentos aumentou e a subnutrição "passa novamente a ser uma das grandes preocupações". No caso brasileiro, Porto acredita que se deva repensar a matriz energética, que leva a irracionalidade da produção e do consumo, e pediu mais verbas para a Embrapa desenvolver e manter projetos para a agricultura familiar.

– Milhões de hectares com duas ou três variedades idênticas não é um modelo que dialogue com a questão ambiental – disse.

Werner Fuchs, conselheiro da sociedade civil no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), defendeu a agricultura ecológica e ressaltou a necessidade da autossustentabilidade, não somente nacional, mas também em âmbito de produção e consumo locais. Segundo Fuchs, as grandes corporações quebram as cadeias de produção, o que onera desnecessariamente o transporte de produtos.

Por sua vez, André Nassar, diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), apesar de ser contra a agricultura extrativista e o desmatamento, denunciou a "visão maniqueísta" contra o agronegócio, que considera um caminho errado que vem ganhando força na burocracia brasileira. Além disso, mostrou-se cético quanto à ação do Estado para garantir a segurança alimentar e quanto à eficácia do uso de estoques reguladores para combater a volatilidade dos preços.

– O modelo [da agricultura no Brasil] não está falido. O modelo está melhorando. É claro que há problemas, mas o modelo é bom – declarou.

O ministro Milton Rondó Filho, coordenador-geral de Ações Internacionais de Combate à Fome, do Itamaraty, declarou que o problema da fome não é de produção, mas da garantia de acesso do alimento a 1 bilhão de pessoas. Rondó celebrou a mudança de paradigma do Brasil, que hoje estaria priorizando o mercado interno depois de 500 anos de um modelo exportador.