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Definidos os parâmetros de linha para a citricultura

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Fonte: Valor | Fernando Lopes | De São Paulo

Aguardada com expectativa por citricultores e indústrias de suco, a Linha Especial de Crédito (LEC) voltada ao segmento que será criada pelo governo no novo Plano de Safra também já está definida. Alvo de acaloradas negociações nas últimas semanas, a "LEC da laranja" oferecerá R$ 300 milhões para a estocagem de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ), o principal produto de exportação da cadeia. Para acessá-la, apurou o Valor, as companhias terão que garantir a seus fornecedores da fruta o pagamento mínimo de R$ 10 por caixa de 40,8 kg.

Esse piso vale apenas para a laranja adquirida no mercado spot que servir ao volume de produção de suco que for estocado. Contratos de fornecimento de longo prazo entre citricultores e indústrias, portanto, terão de respeitar as bases anteriormente acordadas, mesmo que o valor previsto seja inferior a R$ 10. E esse mínimo gerou muita controvérsia nas negociações em Brasília e em São Paulo, Estado que responde por mais de 80% da produção brasileira de laranja e de onde parte quase toda a exportação de suco do país.

Como a atual "safra industrial" (2011/12) de laranja prevê um gordo volume de colheita nos pomares paulistas, as indústrias iniciaram a temporada oferecendo R$ 7 por caixa da fruta precoce. Baseadas nesse patamar, informaram fontes de mercado, tentaram garantir que o preço mínimo previsto na LEC fosse de R$ 9. Os produtores, por sua vez, insistiram em R$ 15, que foi o preço médio no mercado spot no ciclo passado, cuja oferta foi magra. Essa grande diferença irritou o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e quase inviabilizou o acordo.

Para garanti-lo, as grandes indústrias exportadoras – Cutrale, Citrosuco, Citrovita e Louis Dreyfus – propuseram uma divisão de lucros caso o suco de laranja estocado posteriormente seja vendido, em data a ser definida pelo ministério, por um valor superior a US$ 2.100 por tonelada. Acima desse patamar, ofereceram, 40% do ganho será destinado aos produtores. A proposta gerou controvérsia entre os citricultores de São Paulo, representados por três entidades distintas, mas por fim foi aceita, mantendo vivo um diálogo iniciado recentemente entre as partes e que precisa ser aprofundado. Interessante às indústrias nesse momento de oferta em expansão, a LEC da laranja deverá servir para estocar cerca de 200 mil toneladas de suco, ou entre 15% e 20% do volume que poderia ser exportado neste ano.

A atual safra de laranja está estimada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Sucos Cítricos (CitrusBR), que reúne as grandes indústrias, em 387 milhões de caixas. Na temporada anterior, as estimadas variaram entre 290 milhões e 320 milhões de caixas. Procurado pelo Valor, Christian Lohbauer, presidente da CitrusBR, não confirmou os parâmetros da nova linha de crédito. Mas confirmou o interesse das indústrias na LEC e afirmou que a iniciativa é uma "transição" para o Consecitrus – conselho formado por representantes de citricultores e de indústrias de suco de laranja que tem por objetivo harmonizar as relações na cadeia produtiva. A criação do conselho foi definida no fim do ano passado, após meses de negociações mediadas pelo então secretário da Agricultura de São Paulo, João Sampaio.

Um dos representantes dos produtores, Marco Antonio dos Santos, diretor da mesa de citricultura da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e presidente da Câmara Setorial da Citricultura, também não entrou em detalhes sobre a linha e limitou-se a louvar sua importância para o Consecitrus.