DEFENSIVOS – Reavaliação de glifosato e outros agroquímicos tem relator definido pela Anvisa

Próximo passo é a abertura de consulta pública, de no mínimo 30 dias, para receber sugestões e contribuições da sociedade

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nomeou nesta quinta, dia 20, o diretor Renato Porto como relator do processo de reavaliação de cinco agroquímicos: glifosato, lactofen, abamectina, carbofurano e thiran. O paraquate, que também passa por reanálise, teve a mesma relatoria definida anteriormente. O próximo passo é a abertura de consulta pública, de no mínimo 30 dias, para receber sugestões e contribuições da sociedade quanto aos seis ingredientes.

O órgão tem até o dia 23 de setembro para concluir os estudos, segundo determinação da Justiça Federal, mas alega falta de tempo e já pediu prorrogação da data.

O Ministério Público Federal (MPF) move ação na Justiça pela proibição de oito defensivos agrícolas. O forato e parationa metílica também estavam em estudo. O primeiro foi banido em 2014 e o segundo continua no mercado por meio de um mandado de segurança. Quanto aos seis ingredientes que continuam em análise, o MPF conseguiu uma liminar na 7ª Vara de Justiça Federal em Brasília (DF), que determina a data para o fim das reavaliações.

Segundo a assessoria de imprensa da Anvisa, o prazo estipulado pela justiça é “inexequível”. A expectativa é concluir as reavaliações, iniciadas em 2008, apenas no início do ano que vem. O órgão conta com a aceitação do pedido de ampliação do prazo na Justiça, que ainda não foi apreciado. Caso não seja acatado, o trâmite pode ser acelerado e a consulta pública, o método que permite o envio de informações por associações, empresas e pessoas interessadas nos ingredientes, deve ser descartada.

Como resultado das avaliações, a Anvisa pode decidir por manter o registro sem alterações, solicitar alterações na formulação, dose ou método de aplicação, restringir a produção ou uso e até cancelar ou suspender o registro do agrotóxicos no país.
 
Saiba mais sobre as substâncias que serão reavaliadas
 
Glifosato
Herbicida de largo espectro, de classe toxicológica IV (pouco tóxico), na atualidade, possui os maiores volumes de produção dentre todos os herbicidas.  É utilizado na agricultura, na silvicultura, em áreas urbanas e domésticas. Seu uso tem aumentado consideravelmente com o desenvolvimento de variedades de culturas geneticamente modificados resistentes a ele.
O glifosato foi classificado recentemente pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer(IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde (OMS), como provável carcinógeno em humanos .
 
Lactofen
Herbicida de Classe III (medianamente tóxico), é utilizado em aplicações de pós-emergência das plantas infestantes na cultura de soja.

Abamectina
Acaricida, inseticida e nematicida de Classe I (extremamente tóxico).  É utilizado na aplicação foliar nas culturas de algodão, batata, café, cebola, citros, coco, cravo, crisântemo, ervilha, feijão, feijão-vagem, figo, maçã, mamão, manga, melancia, melão, morango, pepino, pêra, pêssego, pimentão, rosa, soja, tomate, uva e em bulbilhos de alho. Usado também no tratamento industrial de mudas de cana-de-açúcar e em sementes de algodão, cebola, cenoura, melão, milho, tomate e soja, e aplicado em solo na cultura de tomate.

Carbofurano
Inseticida, cupinicida, acaricida e nematicida de Classe I (extremamente tóxico). Aplicado no solo nas culturas de algodão, amendoim, arroz, banana, batata, café, cana-de-açúcar, cenoura, feijão, fumo, milho, repolho, tomate e trigo. Utilizado ainda em sementes de algodão, arroz, feijão, milho e trigo.

Thiram
Fungicida de Classe II (altamente tóxico). Utilizado no tratamento de sementes de algodão, amendoim, arroz, aveia, cevada, ervilha, feijão, milho, pastagens, soja, sorgo e trigo e no solo na cultura de batata.

Fonte : Canal Rural