Deere prevê crescimento do mercado no país só em 2017

O mercado brasileiro de tratores e colheitadeiras só deverá voltar a crescer em 2017, previu ontem Paulo Herrmann, presidente da John Deere no Brasil e vice-presidente de vendas da múlti americana para a América Latina. Conforme o executivo, que participou da inauguração da nova linha de tratores de grande porte da companhia em Montenegro (RS), ainda não é possível precisar o tamanho da reação das vendas, que estão em queda desde 2014.

Para 2016, Herrmann projeta um ano igual a 2015 – quando, em sua visão, as vendas domésticas dos fabricantes de tratores em geral deverão recuar 10% em relação às 55,6 mil unidades do no ano passado. Ele também estima uma queda de 15% a 18% mercado de colheitadeiras este ano, sendo que em 2014 foram vendidas 6,3 mil unidades nessa frente.

No primeiro semestre, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de tratores caíram 25,1% no Brasil em relação a igual intervalo de 2014, enquanto nas colheitadeiras a baixa foi de 32,2%. No período, as vendas de tratores da John Deere recuaram 20% e as de colheitadeiras diminuíram 37,9%.

Segundo o executivo, os "fundamentos" que apoiam uma expectativa de queda menor até o fim do ano passam pela colheita recorde de grãos na safra 2014/15 e pelo dólar forte, que ameniza a queda das cotações das commodities agrícolas. Outro ponto positivo é o nível relativamente baixo de endividamento da maior parte dos agricultores.

A nova linha de tratores inaugurada ontem pela John Deere exigiu aportes de US$ 40 milhões desde 2013 para a fabricação de máquinas de 270 a 370 cavalos de potência. Para Herrmann, a importância de investir em um momento de retração do mercado é que a empresa poderá "tirar vantagem" em relação aos concorrentes na retomada. Segundo ele, com o novo modelo a empresa poderá reforçar as exportações desse novo modelo para compensar a fraqueza do mercado doméstico.

Por Sérgio Ruck Bueno | De Montenegro (RS)

Fonte : Valor