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DE VOLTA AO DEBATE | Avaliação de substâncias é lenta no país

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Apesar de o cerco aos agrotóxicos suspeitos de serem nocivos à saúde humana e ao ambiente ter apertado nos últimos anos, o Brasil é lento na reavaliação de produtos com registro antigo e proibidos em outros países. Em 2008, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou a análise de 14 ingredientes ativos, mas até agora foram finalizados apenas cinco processos, com quatro decisões pelo banimento.
Para Álvaro Ávila do Nascimento Inácio, chefe da divisão de fiscalização de agrotóxicos do Ministério da Agricultura, a maior parte dos produtos questionados já tem restrições em outros países, mas deficiências como falta de pessoal nos órgãos responsáveis tornam a investigação morosa no Brasil.
– O processo de reavaliação é muito oneroso e lento. Demanda vários estudos. Além disso, envolve ações judiciais e interesses econômicos. Já se vão cinco anos e não conseguimos finalizar a lista – diz Inácio.
Segundo o especialista, em regra, o Brasil só age após comprovar problemas em outros países:
– A gente não parte na frente. Vai a reboque.
O secretário estadual do Meio Ambiente, Helio Corbellini, considera “absurda” a proposta de mudança da legislação gaúcha. A lei atual impede a comercialização no Estado de produtos que tenham como princípio ativo o paraquate, ainda sob avaliação da Anvisa. Considerado altamente tóxico, o ingrediente é proibido na União Europeia, mas existe a suspeita de estar sendo empregado ilegalmente no Rio Grande do Sul.
caio.cigana@zerohora.com.br

CAIO CIGANA

Fonte: Zero Hora