De olho nas cápsulas, Nestlé premia café

Pedro Feliu, da Nestlé, diz que negócio Dolce Gusto, cresce acima do mercado
A menos de quatro meses de inaugurar sua fábrica de cápsulas Nescafé Dolce Gusto em Montes Claros (MG), a Nestlé anunciou ontem a realização de um concurso para escolher o melhor café do país na safra 2015/16. O produto vencedor será utilizado em uma edição especial das cápsulas Nescafé Dolce Gusto, que será produzida na unidade atualmente em construção, onde foram investidos cerca de R$ 200 milhões. A edição limitada será vendida no Brasil e em outros países que têm a marca Nescafé Dolce Gusto a partir de julho de 2016.

Hoje as cápsulas Dolce Gusto comercializadas pela Nestlé no Brasil são produzidas em unidades da empresa na Inglaterra e na Espanha. O produto é feito com blends de café do Brasil (65% da mistura) e o restante de outras origens. Com a unidade de cápsulas Dolce Gusto em Montes Claros, a primeira da empresa suíça fora da Europa, a Nestlé espera que os cafés brasileiros correspondam a mais de 85% do blend, de acordo com Pedro Feliu, diretor de Nescafé Dolce Gusto no Brasil. "A ideia é chegar a 100% com a fábrica no Brasil", afirma.

Com o concurso, uma parceria com o Ministério da Agricultura que tem a organização da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), a Nestlé afirma querer valorizar os cafeicultores do país.

Mas a iniciativa pode ser considerada também uma forma de estimular a produção de cafés de maior qualidade e garantir produto para os blends de Dolce Gusto da companhia.

Os números do mercado de cápsulas no país explicam o empenho da Nestlé. Segundo Paulo Gomes, gerente de marketing Dolce Gusto, a categoria cresce 35% ao ano e tem uma penetração entre 2,5% e 3% no Brasil, o que significa potencial de avanço. De acordo com Feliu, no caso da Nescafé Dolce Gusto, o crescimento "é maior do que o do mercado".

O mercado brasileiro de café como um todo movimenta R$ 7 bilhões, 80% disso no segmento de torrado e moído. Segundo Gomes, da Nestlé, a categoria cápsulas responde por 5% do total.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor