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De borboletas a cogumelos

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Milho pipoca em MT: desenvolvimento de híbridos ainda engatinha no país
Pipoca que estoura em forma de borboleta e enche os olhos pelo tamanho, ou em forma de cogumelo, boa para caramelizar. O mercado dessa singela iguaria, já consolidado nos EUA, está cada vez mais especializado também no Brasil. Mesmo assim, o desenvolvimento de híbridos (variedades) desse tipo de milho engatinha no país e há muita dependência de materiais importados.

A Agrícola Ferrari traz dos EUA as sementes que entrega a produtores parceiros. Desde o início dos anos 2000, a empresa faz "um trabalho de formiguinha" em busca de melhor produtividade, diz o diretor Vinicius Ferrari. "Todo ano, trazemos no mínimo 20 híbridos dos EUA, e colocamos em canteiros de testes", afirma.

A Pioneer, empresa de sementes da americana DuPont, fez incursões no mercado de pipoca no Brasil, mas o Instituto Agronômico (IAC), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, hoje lidera as pesquisas com o o grão no país. Desde a década de 1990, o IAC já lançou quatro híbridos, combinando genética nacional e do exterior.

Conforme Eduardo Sawazaki, pesquisador à frente dos estudos do IAC, os materiais americanos não se adaptaram às condições do plantio de verão de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. "Nesses Estados, a colheita acontece em época de chuvas, e como o pipoca é usado diretamente no consumo, com alta umidade apodrece muito, prejudica a qualidade", explica. Em Mato Grosso, ao contrário, o cultivo de híbridos dos EUA tem bom desempenho na safra de inverno (safrinha). "Lá, quando o milho forma o grão, não chove mais".

Os dois híbridos mais recentes do IAC, lançados em 2014, ainda não estão sendo comercializados. A expectativa do instituto é que as sementes estejam disponíveis entre a safrinha de 2016/17 e a safra de verão 2017/18. O foco são os Estados que carecem de híbridos adaptados, mas segundo Sawazaki, esses materiais "podem ir bem em Mato Grosso também".

Por Mariana Caetano | De São Paulo
Fonte : Valor