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DÉCIMO MANDAMENTO | Um longo caminho até a Sucessão

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Problemas na transição independem do tamanho da propriedade rural

A vontade de continuar um negócio está relacionada aos frutos que pode dar. Mas o processo de formar um sucessor no campo é mais complexo, e uma trajetória bem-sucedida não evita dificuldades ou conflitos na hora de transferir o comando.
– Os problemas não têm a ver com o sucesso ou não da atividade e, sim, com outras coisas, como perspectiva de vida dos filhos, possibilidades de crescer, falta de oportunidade e dureza do trabalho. O que se vê é que os problemas de sucessão estão nas propriedades familiares e nas empresariais, naquelas de pouco, mas também naquelas de muito sucesso – analisa Cláudio Marques Ribeiro, extensionista rural da Emater e professor da Universidade da Região da Campanha (Urcamp).
Sensível a diferentes aspectos, que vão do modelo de gestão à forma como a família se estruturou ou como os filhos foram criados, o processo de sucessão assume características próprias caso a caso. Alguns indícios, no entanto, podem ser verificados já na adolescência dos herdeiros, como o gosto ou não pela atividade. De modo geral, investimento em novas tecnologias, tornando a lida menos penosa e visando a maior lucratividade, tende a atrair os jovens. Nesse caso, se os pais não abrirem espaço, a motivação desaparece.
Está na alquimia do velho com o novo, representada nesse confronto entre gerações, a semente para uma sucessão mais suave. De um lado, a experiência, a visão madura. De outro, a energia da renovação e a habilidade com as novidades advindas do progresso tecnológico. Tornar a diferença de opiniões uma aliada exige tempo, dedicação, afinidade e muita conversa e independe do tamanho da propriedade.
– Uma empresa gerida de forma sustentável e com todos elementos e fatores internos controlados permitirá uma condução do negócio pelos sucessores de maneira menos atribulada. Com o tempo, a propriedade ganha características adicionais próprias de seu novo gestor – diz Tiago Ribeiro da Costa, professor de agronegócios do Centro Universitário de Maringá.

LORAINE LUZ | ESPECIAL

Dica de especialista

Extensionista rural da Emater e professor da Urcamp, Cláudio Marques Ribeiro dá dicas para uma troca de comando tranquila, sem sobressaltos no campo. Confira:

Para quem vai em busca do sucessor

"Se o pai quer que o filho permaneça, o fundamental é abrir espaço. Sem lugar para ter seus animais ou sua lavoura, associado à dureza do trabalho no campo, o jovem opta por ir à cidade em busca do próprio dinheiro."

Para quem vai assumir a sucessão

"Sempre vai existir o conflito entre o que se fazia e a expectativa do novo. De qualquer forma, é importante agir com cautela, respeitando o passado e buscando inovações que tragam respostas não só econômicas, mas de bem-estar e segurança."

Fonte: Zero Hora