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DAS RUAS PARA AS ESTRADAS | Bloqueios já prejudicam entregas

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Caminhoneiros aumentaram intensidade de protestos e interromperam pelo menos 19 pontos de 10 rodovias gaúchas ontem

No segundo dia de protestos de caminhoneiros, o movimento cresceu no Rio Grande do Sul. Seguindo a mobilização nacional, que ontem foi registrada em nove Estados, a categoria bloqueou pelo menos 19 pontos de oito rodovias federais gaúchas e de duas estaduais.
Com reivindicações como a redução do preço do óleo diesel, isenção em pedágios e mudanças na Lei do Descanso, os manifestantes queimaram pneus, mas na maioria dos locais permitiram a passagem de automóveis e ônibus. Apenas caminhões tinham a circulação impedida. Mesmo assim houve congestionamentos e, em alguns casos, apedrejamento dos veículos de carga que tentavam ultrapassar as barreiras ou procurar desvios.
Os desdobramentos dos protestos preocupam a Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas do Rio Grande do Sul (Fetransul), que se reúne hoje na Capital com os 12 sindicatos do Estado filiados à entidade para avaliar os protestos. Os primeiros transtornos começaram a ser verificados e o chefe de comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Estado, João Antônio Brasil, revela que, com base em informações dos manifestantes, a expectativa é que os protestos aumentem nos próximos dias.
Comandado pelo sindicalista Nélio Botelho, o Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), que convocou a onda de manifestações, pretende manter a mobilização pelo menos até as 6h de amanhã.
– Existem muitos caminhões parados no caminho. Isso significa um atraso significativo nas entregas de mercadorias – diz o presidente do conselho de representantes da Fetransul, Paulo Vicente Caleffi.
Segundo o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), algumas indústrias enfrentaram problemas “sérios” de recebimento de matéria-prima, ontem. Em alguns casos, o leite chegava aos postos de resfriamento, mas, devido às barreiras, não era entregue às indústrias. A saída encontrada foi buscar socorro em outros laticínios que recebiam o produto.
O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antonio Cesa Longo, avalia que, a partir de amanhã, caso os protestos persistam, existe o risco de desabastecimento de hortigranjeiros que vêm do centro do país. Os Correios informaram que, em alguns Estados, será utilizado transporte aéreo para minimizar o atraso na entrega das correspondências.
Governo promete cobrar multa pelas interrupções
Para Caleffi, da Fetransul, a aparente falta de comando nas manifestações é um agravante. Ele lembra ainda que, em casos de perturbação da ordem pública, como os protestos dos caminhoneiros, cessam as garantias de seguro das mercadorias.
– A situação fugiu do controle porque são paralisações desorganizadas, sem interlocutores e sem uma pauta que possa ser analisada sobre o que pode ser atendido – avalia.
Orientada a negociar o desbloqueio das estradas, João Antônio, da PRF, também relata dificuldade de diálogo:
– É bastante trabalhoso porque isso envolve intermediação entre policiais e manifestantes, que ora liberam totalmente a pista, ora querem bloqueá-la.
A Advocacia-Geral da União (AGU) disse que vai cobrar do MUBC e de Botelho multas por estradas bloqueadas. Ontem, liminar da Justiça Federal em Minas Gerais determinou que os caminhoneiros não façam bloqueios nas rodovias do país, com multa diária de R$ 100 mil pelo descumprimento.
caio.cigana@zerohora.com.br

CAIO CIGANA

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