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DANILO UCHA – É possível aumentar os abates no Estado

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Secretário Ernani Polo ouviu Queiroz, Brasil e Secco na Jaguaretê

DANILO UCHA/JN/ESPECIAL/JC

Secretário Ernani Polo ouviu Queiroz, Brasil e Secco na Jaguaretê

Volta e meia, os frigoríficos instalados no Rio Grande do Sul reclamam que o Estado não tem oferta de gado suficiente para atender à demanda da indústria e também não consegue formar excedentes para exportação. É clássico, por exemplo, que, há muito tempo, deixou de atender à chamada Cota Hilton — exportação de carne de altíssima qualidade, que consegue melhor preço — por falta de produção. Por tudo isso, é instigante o desafio lançado, ontem, na Expointer, em Esteio, pelo criador e confinador paulista de Simental Luiz Antonio Queiroz (Fazenda Jaguaretê, de Eldorado Sul), pelo presidente do frigorífico Marfrig, o uruguaio Martin Secco, e pelo gerente regional do frigorífico, Diego Brasil, para o Estado aumentar de 2,1 milhões de abates por ano para 3,2 milhões, num período de cinco anos. Isso significa incrementar 1 milhão de abates/ano ao longo de meia década, o que não só aumentaria a disponibilidade de carne com a qualidade do gado europeu criado no Sul, como também geraria mais de 50 mil empregos na cadeia produtiva, do campo à indústria e comercialização. Segundo eles, não precisaria aumentar a área destinada à pecuária, mas, sim, aumentar a produtividade, diminuir a idade de abate, melhorando pastagens e o manejo e adotando a terminação dos animais em confinamento. Queiroz garantiu que quem está seguindo o programa da Jaguaretê aumentou em 60% sua produção e abate bois com 18/24 meses com 58% de rendimento de carcaça.

Para os árabes

A Agropecuária Caty, de Santana do Livramento, está com uma novidade em matéria de carne na Expointer, carne de animais hereford e braford de alta qualidade abatidos conforme preceitos árabes. Assim como os judeus já exigem há anos um abate especial para que a carne que compram seja “kosher”, oriunda de animais abatidos conforme a lei judaica, os árabes passaram a comprar carne brasileira quando os animais são abatidos de acordo com sua religião. Um representante muçulmano faz uma oração na hora do abate e a carne pode ser consumida sem problemas pelos árabes. Está “descontaminada”. De acordo com Adroaldo Pötter, dono da Agropecuária Caty, o produto está sendo colocado no mercado em cidades brasileiras de grande população de origem árabe e preparada para possível exportação para o Oriente Médio.

Fecomércio-RS

A Fecomércio-RS também tem estande na Expointer. Mostra os serviços do sistema e atividades do Sesc e do Senac.

Vendas

Apesar de se notar pouco movimento em algumas áreas da Expointer, principalmente nas áreas de alimentação e restaurantes, o movimento de negócios dos primeiros dias foi considerado bom pelo vice-presidente da Farsul, Francisco Schardong. As vendas de cavalos crioulos, até ontem, lideravam as estatísticas.

Leite

Os municípios vão empobrecer, e a bacia leiteira gaúcha, que muito custou a se estruturar e tornar atrativa economicamente, vai sofrer muito com as decisões do governador José Ivo Sartori (PMDB), diminuindo os créditos que o setor tem direito e com os aumentos do ICMS propostos. A opinião é de três líderes do setor — José Luis Rigon, da Gadolando; João Seibel, da Cooperativa Santa Clara; e Darlan Palharini, do Sindilat — que participaram de painel organizado pelo Jornal do Comércio, ontem, na Expointer. Além de perder mais de R$ 200 milhões, o setor vai ser penalizado e ainda verá o incentivo ao consumo de produtos importados de outros estados e países. Só para dar uma ideia, o leite condensado já paga, hoje, 9% de ICMS no Rio Grande do Sul. Em São Paulo, apenas 2%.

Painel Econômico
DANILO UCHA
ucha@jornaldocomercio.com.br
Painel Econômico

Fonte : Jornal do Comércio