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DANILO UCHA – Integração lavoura, pecuária e floresta

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Gaúcho Paulo Herrmann lidera divulgação da integração
A sigla iLPF (Integração Lavoura, Pecuária e Floresta), com “i” minúsculo, porque é marca registrada, está na moda. Quase todos os palestrantes do 14º Congresso Nacional do Agronegócio, concluído ontem, aqui em São Paulo, a citaram, alguns colocando-a como a “salvação da lavoura” por suas vantagens econômicas e ambientais e garantia de aumento da produção agrícola e pecuária, de forma sustentável e sem necessidade de usar novas áreas. O economista Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, disse que o sistema tem sido bem-sucedido em propriedades de pequeno e médio porte, e o desafio é aplicá-lo em larga escala em grandes propriedades. Paulo Herrmann, considerado o maior especialista no sistema, além de presidente da John Deere Brasil, tem uma meta: chegar a 2020 com 10 milhões de hectares produzindo grãos, bois e árvores. “Nós temos meta, não é aquela história de não tem meta, quando a gente chegar na meta, dobramos a meta”, disse. Explicou que “além das vantagens econômicas e de manejo do solo, o sistema também tem um enorme apelo ambiental, uma vez que, nos projetos hoje já implantados, e que chegam a 3 milhões de hectares, o volume de carbono sequestrado por hectare chegou a 1,5 tonelada”. Para que o sistema iLPF se desenvolva ainda mais, é necessário uma série de ajustes em termos de legislação creditícia e do trabalho. “Temos de capacitar o trabalhador do campo nos mesmos moldes do que é feito na indústria. Necessitamos hoje de um funcionário multidisciplinar, que atue nas três áreas: lavoura, pecuária e na atividade florestal”, diz Herrmann. Outra mudança preconizada por ele é em relação à revitalização da extensão rural, mas com um viés privado e não público.

Sustentabilidade

A sustentabilidade com que a agricultura brasileira vem sendo praticada nos últimos anos se tornou um grande ativo para o agronegócio brasileiro, importante insumo para o aumento da competividade no campo. Esta foi uma das conclusões inovadoras do 14º Congresso Brasileiro do Agronegócio, segundo o presidente da Associação Brasileira do Agronegócios (Abag), Luiz Carlos Corrêa de Carvalho. Agora, segundo ele, o Brasil precisa celebrar acordos comerciais com países que sejam realmente importantes, acentuar seu papel de liderança e protagonismo no mundo e desenvolver mecanismos de crédito que sejam condizentes com a realidade atual da produção agropecuária. O campo também exige legislação trabalhista mais atualizada e adaptada às reais necessidades do setor e um modelo de crédito rural diferente do que foi instituído há 50 anos, quando a realidade produtiva no país era outra.

Agregar valor

Agregar valor é o grande desafio do produtor brasileiro de proteína animal, em especial aves e suínos. O objetivo é transformar os grãos, que hoje representam cerca de US$ 432,00 por tonelada exportada, na exportação de frango inteiro, que elevaria para US$ 1.790,00 por tonelada exportada. A informação é do ex-ministro da Agricultura, o gaúcho Francisco Turra, em palestra no 14º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Abag – Associação Brasileira do Agronegócio, em São Paulo. O ex-ministro salientou a importância do setor de aves e suínos ao lembrar que, das 25 cidades com o melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, a metade é de municípios onde a avicultura ou suinocultura predominam. “Hoje, exportamos aves para 157 países, e o setor responde pela geração de 4,1 milhões de empregos diretos”, relatou. Para ele, um fator é vital para o País ter alcançado esse patamar de importância no mercado de proteína animal. “Nossa rigorosa sanidade animal é o nosso melhor passaporte para nossas exportações”, finaliza.

Confiança

Também ficou muito claro em todas as nossas conversas com produtores rurais e industriais do setor alimentício que o principal elemento necessário, neste momento, para a continuidade do processo de desenvolvimento agrícola e pecuário é confiança. O País, segundo eles, vive uma crise de confiança em consequência da crise econômica, financeira e política. “Sem confiança, não há investimento”, disse-me um dos maiores industriais da soja. Sem saber o que vai acontecer amanhã é impossível planejar.

Alimentos

A indústria brasileira de alimentos processa 58% da produção agrícola do País e 20% deste total é exportado, o que contribui de forma significativa para a balança comercial, mas ainda há muito campo para crescer, principalmente se os brasileiros agregarem valor ao que exportam. A opinião é do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, Edmundo Klotz, comentando que o faturamento do setor já é de R$ 529,6 bilhões e as exportações chegam a US$ 35,4 bilhões, enviadas para mais de 130 países. A indústria emprega 1,6 milhão de pessoas.

Ideia antipática

Uma ideia antipática, que ninguém quer perfilhar, circulou nos corredores do 14º Congresso Brasileiro do Agronegócio, concluído ontem: a criação de um imposto de exportação sobre produtos agropecuários. O balão de ensaio veio acompanhado da informação de que resolveria a maior parte dos problemas financeiros dos estados e possibilitaria que empresas recebessem créditos que possuem e que o governo federal não paga, porque não tem dinheiro. Ninguém quis comentar o assunto. Estados exportadores de produtos agrícolas, como o Rio Grande do Sul, seriam os grandes beneficiados.

O Dia

O e-Social será tema de palestra gratuita, às 8h30min, no cinema do Shopping Total, da Gerencial Auditoria e Consultoria e Sebrae-RS.
Começará a feira de turismo da Ugart, no centro de eventos do Plaza São Rafael.
CPI do Acampamento Farroupilha ouvirá coordenador de Tradição e Folclore da SMC, Giovani Osório Tubino, às 10h, na Câmara de Vereadores.
A diretoria da Assespro-RS estará reunida, às 12h, no Tecnopuc, para discutir o andamento dos trabalhos da entidade.
A Flehr Engenharia convida para visitar seu estande na 18ª Feira da Construsul, na Fenac, em Novo Hamburgo. É o 110. Das 14h às 21h.
O secretário estadual da Fazenda, Giovani Feltes, estará no almoço da Federasul, falando sobre a situação financeira do Estado, às 11h45min.
Perfeita imperfeição é a exposição de pinturas de Susan Mendes, que abrirá às 20h, na Galeruia Gravura, à rua Corte Real, 647. Irá até setembro.
Encontro da Confraria Bom Vin, às 20h, na Vinum Enoteca, rua Marquês do Herval, 52, com vinhos da Fattoria dei Barbi.
O empresário Cezar de Oliveira inaugura a Kafé, sua nova loja de calçados e artefatos de couro, em Novo Hamburgo, na rua Bento Gonçalves, 2.244.

  DANILO UCHA
ucha@jornaldocomercio.com.br

Painel Econômico

Fonte : Jornal do Comércio