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Dakang quer estreitar relação com bancos do país

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Leonardo Rodrigues/Valor

Ge Junjie, presidente do conselho da Dakang, afirma que grupo quer ampliar sua participação no mercado brasileiro

Após duas aquisições no Brasil por meio de seu braço agrícola Dakang International Food and Agriculture, o próximo passo do conglomerado chinês Pengxin é estreitar o relacionamento com bancos no país. Em entrevista ao Valor, Ge Junjie, presidente do conselho de administração da Dakang e vice-presidente do conselho do Pengxin, disse que o grupo – que atua globalmente também nos setores de mineração e imobiliário – busca financiamento para aumentar sua participação no mercado brasileiro.

Até hoje, segundo Ge Junjie, os recursos para os investimentos no Brasil vieram do mercado de capitais. A Dakang, com sede em Hunan, é uma empresa listada na bolsa de Shenzhen faturou em 2016 cerca de US$ 914,8 milhões (6,223 bilhões de yuans), 58,9% mais do que em 2015. No total, a companhia já investiu no Brasil cerca de US$ 500 milhões, de acordo com o executivo.

Na manhã desta terça-feira, a Dakang realiza um evento para apresentar a empresa a bancos locais. "Claro que estamos em busca de bancos internacionais também, incluindo da China, mas essa relação se dará pelos bancos no Brasil", explicou Ge. Nesta semana, o presidente do conselho também deve realizar reuniões com clientes em potencial e com tradings no país.

A visita de Ge Junjie formaliza a criação da Dakang Brasil Agro, holding que será responsável pelo crescimento no mercado agrícola brasileiro. Conforme já informou o Valor, esse crescimento deve se dar por meio das empresas brasileiras já adquiridas pelo grupo: a mato-grossense Fiagril, comprada em 2016, e a paranaense Belagrícola, neste ano.

Nos dois casos, a Dakang adquiriu o controle das empresas, mas manteve a antiga diretoria. Da Fiagril, o conglomerado chinês comprou 57% das ações e, da Belagrícola, 54% de participação. Localizadas nos dois maiores Estados produtores de grãos no país, ambas atuam na comercialização de grãos e insumos.

O plano do grupo chinês é que a nova holding no mercado brasileiro estruture a captura de sinergias e as novas negociações no país, explicou Fabio Jacob, diretor financeiro da Dakang Brasil Agro e conselheiro financeiro da Belagrícola e da Fiagril. Jacob era o diretor financeiro da Belagrícola antes da venda do controle para o conglomerado chinês.

Não é segredo que os investimentos do grupo chinês no Brasil visam um relacionamento de longo prazo, sobretudo, para garantir a segurança alimentar para um país que já tem hoje 1,3 bilhão de habitantes. Inicialmente, reforçou Ge, o objetivo principal da Dakang é promover um ponto de conexão entre as duas empresas adquiridas, de modo a elevar a rentabilidade e a capacidade de produção.

O passo seguinte é desenvolver marcas próprias no Brasil, cujo principal destino seria o mercado chinês. Mas o executivo não detalhou quais seriam os produtos. O grupo tem uma experiência bem-sucedida nesse sentido na Nova Zelândia. Em 2014, adquiriu 29 fazendas de leite no país e desenvolveu uma linha produtos lácteos.

"Queremos uma boa marca que facilite a criação de uma base de clientes chineses", destacou Ge Junjie. Ele reiterou que, além de estreitar o relacionamento com bancos, pretende prospectar novos negócios no Brasil. "Eu quero mostrar que os produtos brasileiros são exatamente o que a China precisa hoje", disse.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor