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CVM abre dois inquéritos e aprofunda investigação

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Silvia Zamboni/Valor

Leonardo Pereira, presidente da CVM

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu ampliar as investigações envolvendo a JBS à luz das informações reveladas na delação premiada dos irmãos Batista e informou ontem a abertura de dois inquéritos. Também foram instaurados outros dois processos administrativos ligados ao caso, chegando a 10 análises em curso diretamente ligadas à companhia.

Os inquéritos vão prosseguir e aprofundar as apurações iniciadas no âmbito de processos administrativos instalados pela autarquia em 19 de maio, e que chegaram a conhecimento público poucos dias depois da divulgação da delação. Um deles pretende analisar a atuação da JBS no mercado de dólar futuro e o outro vai verificar as negociações da FB Participações, controladora da JBS, com ações da companhia.

Advogados que acompanham a CVM ouvidos pelo Valor já haviam levantado a possibilidade de abertura de inquérito nos casos devido à complexidade dos assuntos a serem analisados. Os dados mais recentes da autarquia mostram que a duração média desse tipo de investigação, mais aprofundada, é de três anos. Em 2013, ela era de sete anos. Uma das frentes do presidente Leonardo Pereira desde que assumiu a autarquia é a redução desses prazos.

A 45 dias do fim do mandato e sob pressão por celeridade no caso, os inquéritos foram abertos menos de duas semanas depois que a CVM iniciou as investigações. Mesmo com o trabalho para reduzir prazos, a média dos processos que aguardam instauração de inquérito é de um ano.

Os processos administrativos chegam a oito. Ontem, a CVM deu conhecimento de mais dois casos envolvendo a companhia.

Um deles analisa notícia sobre eventual influência da JBS no conselho de administração da concorrente BRF. A revelação de que o ex-presidente da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, Luis Carlos Fernandes Afonso, recebeu propina da J&F após a fusão da Florestal com a Eldorado Celulose – controlada pela família Batista – suscitou dúvidas sobre a atuação do executivo como membro do conselho de administração da BRF entre 2009 e 2015. A JBS, também controlada pela J&F, é rival da BRF – que na semana passada solicitou à CVM a investigação do assunto.

A outra investigação do regulador analisa notícia divulgada pelo jornal "Folha de S. Paulo" a respeito do uso de aeronave pelo empresário Joesley Batista. Na segunda-feira, a empresa, em resposta a ofício da CVM, informou que tem direito do uso da Gulfstream Aerospace GVSP como meio de transporte para seus administradores e executivos, incluindo Joesley, presidente do conselho de administração.

  • Por Juliana Schincariol | Do Rio
  • Fonte : Valor