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Custos atrapalham a reciclagem energética

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Fórum realizado na sede da Fiergs, na Capital, debateu os obstáculos para o crescimento da atividade no Brasil

Jefferson Klein

ANTONIO PAZ/JC

James Miralves prevê que a solução será adotada em maior escala no País em dez anos

James Miralves prevê que a solução será adotada em maior escala no País em dez anos

A possibilidade de gerar energia a partir da queima do lixo urbano já é uma realidade em países europeus (como Alemanha e França) e começa a ser discutida cada vez mais intensamente no Brasil. Porém, o diretor da Odebrecht Ambiental James Miralves ressalta que o obstáculo para que essa atividade torne-se uma realidade no País são os valores envolvidos.
De acordo com o executivo, os empreendimentos alcançariam a confiabilidade na operação e produção de energia. Entretanto, o problema hoje é de competitividade em comparação aos atuais preços de energia praticados nacionalmente. Miralves enfatiza que, em geral, as iniciativas existentes no mundo, conhecidas como projetos de valorização energética de resíduos urbanos, não são feitas para criar um insumo competitivo. O objetivo é tratar de uma maneira adequada a destinação dos rejeitos. “É assunto de meio ambiente, não de energia”, aponta o dirigente.
Apesar desse cenário atual, o executivo argumenta que os complexos dessa área irão ser desenvolvidos no País quando o crescimento das cidades impedirem o aumento do número de aterros sanitários ou através da implantação de uma política pública nesse sentido, com a concessão de incentivos. Miralves prevê que a solução da reciclagem energética será adotada no Brasil em maior escala dentro de cinco a dez anos.
Miralves participou da tentativa de desenvolver uma planta de reciclagem energética no polo petroquímico de Mauá (SP), contudo esbarrou na inviabilidade econômica, com as ações sendo interrompidas no momento do financiamento da estrutura. Seriam necessários cerca de R$ 500 milhões para implementar uma unidade de 60 MW de capacidade instalada (aproximadamente 1,5% da demanda de energia do Rio Grande do Sul).
O coordenador do Comitê de Reciclagem do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), Luiz Henrique Hartmann, acredita que o uso dos detritos urbanos para a geração de energia no Estado será algo concreto futuramente. “Mas cada caso é um caso, dependerá da configuração do negócio e do tipo de resíduo que será aproveitado”, comenta. Porém, Hartmann reitera que resolvendo algumas arestas na Política Nacional de Resíduos Sólidos, como na parte de incentivos, os projetos deverão surgir. Uma usina de reciclagem energética pode ser alimentada com diversos rejeitos, como plásticos, embalagens, restos orgânicos pré-compostados, entre outros.
O representante do Sinplast-RS e Miralves foram palestrantes da 5ª edição do Fórum Brasileiro de Reciclagem Energética de Resíduos Sólidos com Ênfase em Plásticos – Energiplast 2014, realizado ontem na Fiergs, em Porto Alegre. Na ocasião, foi lançado no Rio Grande do Sul o Selo Nacional de Plásticos Reciclados (Senaplas). São elegíveis à distinção promovida pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) as empresas que trabalham com matéria-prima reciclada, que comercializam resinas recuperadas e produtos transformados pelos recicladores.
A assessora técnica da Abiplast Simone Carvalho Levorato Fraga explica que o selo é concedido às companhias recicladoras que estejam de acordo com todas as exigências da legislação (ambientais, trabalhistas etc). A certificação é válida por dois anos e pode ser utilizada em qualquer material da empresa, como nota fiscal, embalagem, entre outros. Simone entregou ontem, simbolicamente, o selo a duas companhias gaúchas: a Drenomaster e a Lorenzon Plásticos. A integrante da Abiplast enfatiza que o Senaplas torna-se um diferencial de mercado para quem o conquistou.
Sobre a reciclagem em geral, Simone afirma que está se evoluindo na questão, entretanto ainda lentamente. Conforme a assessora técnica da Abiplast, a estimativa é que as deficiências na reciclagem dos plásticos, que poderiam ser reaproveitados, mas não o são, ocasionam uma perda anual de cerca de R$ 5 bilhões. Um empecilho para mudar essa situação é que, no momento, apenas 14% dos municípios brasileiros possuem o sistema de coleta seletiva.

Fonte: Jornal do Comércio