Custo do crédito agrícola supera juros básicos, mas oferta pode subir

Crédito: Paulo Whitaker –ORG XMIT: PW03 A truck lines up to be loaded with soybeans in a farm in the city of Primavera do Leste in the central Brazilian state of Mato Grosso February 7, 2013. Brazil will produce a record 83.4 million tonnes of soybeans this season due to unprecedented expansion in area planted, the government said on Thursday, raising its forecast 0.8 percent from 82.7 million tonnes in January. REUTERS/Paulo Whitaker (BRAZIL - Tags: AGRICULTURE BUSINESS COMMODITIES)

Caminhão é carregado de soja em Mato Grosso

O crédito será o nó da questão do agronegócio neste ano. O período será de queda de receitas, de elevação de custos e de crédito caro.

"O custo de oportunidade de plantar será alto, com juros básicos menores do que os do crédito agrícola", diz Fábio Silveira, sócio-diretor da MacroSector.

Carlos Aguiar Neto, superintendente-executivo de agronegócios do Santander, diz que a taxa Selic, um pouco abaixo da taxa de crédito rural, não é tão ruim.

"Abre espaço para outros bancos participantes desse setor." Atualmente, 75% do volume de crédito sai de apenas dois bancos, acrescenta.

Na avaliação do executivo do Santander, esse novo cenário permite maior concorrência e sobra mais dinheiro para ser alocado.

"O subsídio é perverso e precifica todos de maneira igual." O mercado dá a linha de crédito para o melhor, acrescenta.

Aguiar Neto destaca ainda que é saudável uma taxa de juros de um dígito e a Selic próxima ou a um pouco abaixo do custo do crédito rural porque sobra mais dinheiro para ser distribuído.

"O cenário é de muita cautela, e o produtor precisará fazer muitas contas", diz Wellington Andrade, diretor-executivo da Aprosoja MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso).

O produtor vai ter à disposição um volume maior de crédito, mas nem todos terão acesso a esse dinheiro.

Os bancos estão mais exigentes, e o produtor já não tem o perfil ideal para se candidatar ao crédito, segundo Andrade.

O acesso ao crédito pelo produtor já vem tendo limitações. Na safra 2016/17, pelo menos 33% do dinheiro exigido para plantio e custeio das lavouras veio do próprio produtor. Nesta safra, o percentual caiu para 19%, segundo o executivo da Aprosoja.

Esse cenário ocorre em um momento complicado. O governo está com dificuldades para acertar suas contas, os custos de produção agrícola se elevaram e a relação entre câmbio e preços dos grãos em Chicago não é das mais favoráveis.

Andrade diz que o pré-custeio de R$ 12,5 bilhões, anunciado pelo governo nesta terça-feira (30), veio em boa hora. Permite uma antecipação das compras dos insumos, mas parte dos produtores poderá não ter perfil bancário para acessar o crédito.

Aguiar Neto continua acreditando no mercado neste ano. Em 2017, o Santander repassou R$ 13 bilhões para o setor, 44% acima do volume de 2016.

O crescimento foi acentuado em 2017 e não deverá se repetir neste ano. "A evolução de 2018, no entanto, será de dois dígitos em relação a 2017", diz ele.

Embrapa – A empresa reduz, nesta quinta-feira (1º), de 15 para 6 as áreas administrativas da sede, em Brasília. No final de 2017, a Embrapa já havia reduzido o número de unidades de pesquisa de 46 para 42.

Ajuste – As mudanças ocorrem devido à "necessidade de ajustar a empresa às mudanças tecnológicas e sociais e aumentar a eficiência", diz Maurício Antônio Lopes, presidente da Embrapa.

Celulose – A produção brasileira subiu para 19,5 milhões de toneladas em 2017, com aumento de 4% sobre 2016. As exportações somaram 13,2 milhões.

Exportações – As receitas com as vendas externas de celulose cresceram 14% no ano passado, atingindo US$ 6,4 bilhões. Os dados são da Secex e da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores).

Mauro Zafalon

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

mauro zafalon

Mauro Zafalon

Fonte : Folha