Custo do boi magro restringirá avanço dos confinamentos

Estruturas de confinamento de médio e grande porte são as mais afetadas, de acordo com a estimativa da Assocon
Diante dos custos elevados para a aquisição de boi magro, os produtores de gado bovino do país devem engordar menos animais no sistema intensivo – os confinamentos – do que o inicialmente previsto. Ainda assim, deve haver um incremento na comparação com o ano passado.

De acordo com levantamento preliminar realizado pela Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), a intenção de confinamento aponta crescimento de 5,33% no número de bovinos que devem tratados nos cochos em 2015, somando 4,38 milhões de cabeças. No primeiro levantamento, divulgado em março, a expectativa era de avanço de 7,65%. No ano passado, o número de bovinos confinados no país foi de 4,16 milhões.

Os cálculos da Assocon partem de uma extrapolação da intenção de confinamento dos 86 associados, que respondem por pouco mais de 20% dos confinamentos do país. Neste ano, a expectativa é que os pecuaristas ligados à Assocon confinem 810,6 mil cabeças de bovinos. Como um todo, os animais confinados representam cerca de 10% dos abates no país.

Apesar de ainda não ser definitiva, já que passará por um processo de revalidação até ser divulgada em 15 de julho, a nova estimativa da Assocon já pode ser considerada uma tendência clara, segundo o gerente-executivo da associação, Bruno Andrade. "A reposição [compra de boi magro] ficou cara", afirma.

Segundo ele, os confinamentos de médio e grande porte, com capacidade estática acima de 2,5 mil cabeças, foram os mais afetados pelos custos altos do boi magro. Para driblar as dificuldades de comprar o animal, os produtores desses confinamentos optaram por ampliar a prática conhecida como "boitel", na qual um pecuarista envia os animais para o confinamento e paga pela diária, assim como em um hotel.

No entanto, como parte desses confinadores não tem "expertise" na modalidade de "boitel", ficou difícil encontrar pecuaristas dispostos a fornecer bovinos para engorda, argumenta Andrade. Sendo assim, os produtores tiveram que reduzir o número de animais a serem confinados, afirma.

Entre os Estados do país, Mato Grosso deve ter o melhor desempenho, favorecido pela maior oferta de grãos. No ano passado, o Estado confinou cerca de 700 mil cabeças, ficando só atrás do líder Goiás, que colocou 1 milhão de cabeças sob engorda intensiva.

A Assocon ainda não tem números detalhados por Estado, mas estimativas recentemente divulgadas por outros órgãos como o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), que prevê crescimento de 24%, reforçam a avaliação de Andrade. Segundo a associação, o crescimento pode até ser menor do que o previsto pelo Imea por conta do boi magro mais caro, mas ainda assim será bastante positivo.

Já em Goiás, o avanço será mais tímido, diz Andrade. Segundo ele, os produtores do Estado confinaram menos porque têm poucas opções de frigoríficos e isso pode ser prejudicial sobretudo entre setembro e novembro, quando a maior parte do gado confinado é vendida. "Poderia entupir as escalas dos frigoríficos e prejudicar a venda".

Fonte:Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo