.........

CULTURA – MPF recomenda valorização do turismo de memória no Vale do Café

.........

As recomendações foram direcionadas aos órgãos de Vassouras (RJ), onde havia encenações sobre escravidão

O Ministério Público Federal (MPF) em Volta Redonda (RJ) expediu duas recomendações para valorização do turismo de memória na região. Um documento foi destinado à Prefeitura e à Câmara Municipal de Vassouras, e o outro foi endereçado às fazendas do Vale do Café. Ambos foram construídos coletivamente com as comunidades, professores universitários, representantes de algumas fazendas e os entes envolvidos, que formaram um grupo de trabalho após audiência pública em maio deste ano.

O MPF recomendou ao prefeito do município de Vassouras que confira visibilidade a locais e endereços que possuem nome de pessoas negras e outros que contribuíram com a luta dos negros pela liberdade através de placas indicativas apresentando, ainda, uma breve descrição de sua biografia.

Além disso, com a finalidade em promover o reconhecimento da história e cultura negra e o combate do “silenciamento” dos efeitos da escravidão de pessoas na região do Vale do Café, foi solicitado ao prefeito a identificação de espaços públicos municipais que possam receber denominação que homenageie essas pessoas e as coloquem em destaque semelhante a de outros personagens da localidade.

O MPF ainda recomendou também a realização de discussão pública, no prazo máximo de 60 dias, com ampla participação da sociedade civil, a identificação de locais, logradouros, ruas e avenidas, que possam homenagear pessoas negras e pessoas que contribuíram com a luta dos negros pela liberdade.

Além disso, foi recomendado que as fazendas submetam seus funcionários e grupos teatrais contratados a processo de capacitação, de carga horária de 8 horas, em curso a ser organizado e ministrado por representantes e lideranças negras da região, mediante apoio de pessoas por eles indicadas e intermediação do MPF e da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de conhecer sua história de resistência e de lutas, assim como as histórias de seus antepassados;

O MPF recomenda, ainda, que as fazendas disponibilizem texto, a ser produzido pelas comunidades negras da região, em sua página eletrônica e em alguns locais de fácil acesso na fazenda (recepção, corredores etc), que ressalte a importância dos negros para a construção das riquezas da fazenda; bem como consolidem um circuito cultural em interação com os grupos culturais que valorizam a história do povo negro, mediante divulgação das atividades realizadas pelas comunidades e organização de eventos conjuntos, assegurando-se sempre a remuneração Encenação

No começo de maio deste ano, o MPF e a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro celebraram Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para assegurar a não realização da encenação sobre a “escravidão” para turistas, bem como para estabelecer medidas reparatórias na Fazenda Santa Eufrásia. No local, pessoas negras vestidas como escravas serviam os turistas que visitavam o local e eram recebidos pela proprietária Elizabeth Dolson, que se vestia com roupas de época, representando uma sinhá. O MPF já havia recomendado em janeiro a não realização da encenação, que já não vinha sendo feita pela proprietária.

POR VENILSON FERREIRA

Fonte : Globo Rural