Crise abre espaço para consolidação no setor

Num momento em que a demanda está desaquecida e as pressões inflacionárias elevam os custos de produção, as empresas do setor de lácteos do país terão de se adaptar. Além de ganhos de eficiência na área industrial, as companhias terão de investir em produtos de maior valor agregado e "tentar sair de commodities", avalia Andrés Padilla, do Rabobank. "Há muitas oportunidades para agregar valor às categorias. Mas o cenário é mais desafiador", afirma.

A situação do setor também indica que "há espaço para consolidação nos próximos anos", diz o analista. "É difícil ter margem interessante com um mercado tão pulverizado". Ele acrescenta que, em momentos de crise, como o atual, empresas com dificuldades financeiras podem virar alvos em um eventual movimento de consolidação.

Embora as perspectivas sejam de queda no consumo de lácteos no curto prazo, Padilla afirma que "continua otimista em termos gerais". "Com a economia crescendo a partir de 2017, a inflação mais controlada e a renda real crescendo, haverá aumento de novo no consumo", prevê.

Além das indústrias, a alta dos custos também afeta os produtores de leite do país. Conforme o estudo do Rabobank, a queda do real ante o dólar tem "efeitos importantes sobre os custos dos produtores, que não devem desaparecer no curto prazo, considerando as expectativas de um dólar médio de R$ 4,40 em 2016 (…)"

O estudo lembra que a alta do dólar já elevou os preços domésticos dos grãos em 2015 e deve continuar influenciando os custos. "No campo, o produtor está pressionado. Isso pode reduzir os investimentos na produção", diz Padilla. Assim, a previsão é de que a produção de leite no país deve ficar estável em 2016.

Mas se pressiona os custos de produtores e indústrias, o dólar mais alto também pode significar oportunidades para o Brasil na exportação de lácteos, conclui.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo
Fonte : Valor