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Criadores da Serra melhoram a produção de terneiros com integração lavoura-pecuária

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Alcançar índices de prenhez acima de 80% requer ações que incluem manejo, gestão e planejamento, respeitando as individualidades de cada propriedade

Criadores da Serra melhoram a produção de terneiros com integração lavoura-pecuária Tiago Francisco/Farsul,Divulgação

Alcançar índices de prenhez superiores a 90% é realidade possível em propriedades da região Foto: Tiago Francisco / Farsul,Divulgação

Gisele Loeblein | Lagoa Vermelha

gisele.loeblein@zerohora.com.br

Alcançar índices de prenhez superiores a 90% é uma realidade possível em propriedades da Serra, onde pecuaristas transformaram as lavouras de verão, que avançam cada vez mais sobre áreas de pecuária, em aliadas, ao apostar na integração das atividades. Terminada a colheita de grãos, pastagens de inverno e de primavera ajudam a garantir uma nutrição eficiente aos animais, interferindo positivamente no ciclo reprodutivo.
– Nas propriedades que são eficientes na produção de terneiros, a pecuária não será substituída por grãos – afirma o doutor em zootecnia Alcides Pilau, da Laçador Gestão em Pecuária.
Para isso, é necessário alcançar taxas de desmame de terneiros acima de 80%. Obter esse resultado – atualmente a proporção no Estado é de 56% na pecuária de corte – requer uma série de ações, que incluem manejo, gestão e planejamento, respeitando as individualidades de cada propriedade.
Aos 90 anos de idade, Ilson Carpes de Melo colhe na sede da propriedade familiar, em Lagoa Vermelha, os resultados de uma aposta feita na integração lavoura-pecuária-floresta. Dos 236 hectares da sede, 55,5 são para lavoura e pastagens de inverno, 82 para campo nativo, quatro para pastagem perene e 74 para floresta nativa. Criador da raça devon, obteve neste ano um índice de 93% de prenhez no rebanho. Das 68 matrizes, 63 produziram terneiros. A lotação (número de animais por hectare), que no passado era de 0,48 animal de cria subiu para 0,93 animal de cria por hectare.
Entre as políticas de gestão estão o endividamento zero, o investimento em manejo e infraestrutura e a manutenção do campo nativo. Com a substituição, há 20 anos, das queimadas do campo nativo por roçadas, também foi possível trazer ganhos ao ambiente.
– Em 2003, começamos com as lavouras de grãos, que são arrendadas. Estamos conseguindo manter esse misto de atividades – afirma o engenheiro agrônomo Ilvandro Barreto de Melo, 43 anos, um dos quatro filhos de Ilson.
Eficiência e boas práticas certificadas
Milho e soja no verão, aveia, azevém e trevo no inverno, além de campo nativo. Com essa fórmula, Pedro Nery da Luz Junior está fazendo com que a agricultura favoreça a pecuária na propriedade onde cria cerca de 3,4 mil cabeças de gado, cruza de aberdeen angus com polled hereford. A Fazenda Vista Alegre, em Esmeralda, tem
5,3 mil hectares. É uma das sete na região sul do país a ter a certificação de Boas Práticas Agrícolas (BPA), do Ministério da Agricultura e da Embrapa.
– Ampliei o giro de animais. Nascem mais terneiros e o engorde é mais eficente. Aumentei em 120% o número de cabeças abatidas por ano.
Índice de prenhez mais do que dobrou
Com a ajuda dos filhos, Luiz Sérgio Godinho, 55 anos, dá continuidade ao trabalho do pai, Hermes D’Avila Godinho, 79 anos, na Fazenda Santa Rita. Nas unidades de Muitos Capões, Lagoa Vermelha e Capão Bonito do Sul, tem 2,15 mil hectares, cria cerca de 1,5 mil cabeças de hereford e braford e cultiva 530 hectares de soja e milho:
– No inverno, toda a área de grãos vira local de pastejo.
O resultado da transformação iniciada em 1989 aparece na evolução: o índice de prenhez saltou de 45%, à época, para 94,38% neste ano.

Fonte: Zero Hora