Cresce pressão sobre cotações do açúcar

Já pressionado diante da robusta venda de açúcar programada para o primeiro trimestre de 2015, o contrato do açúcar bruto para março na bolsa de Nova York pode sofrer mais desvalorização, caso seja baixo o volume de produto entregue na bolsa americana ao fim deste mês, quando expira a tela de outubro.

Na sexta-feira, os futuros para março caíram 15 pontos em Nova York, a 15,80 centavos de dólar por libra-peso, a quarta queda em cinco pregões. Na estimativa da trading inglesa Czarnikow, já pesa nessa desvalorização uma "rolagem" de cerca de 1 milhão de toneladas de açúcar do Centro-Sul que deveriam ser entregues aos compradores em outubro, mas tiveram a liquidação do contrato postergada para março, quando os preços sinalizam maior atratividade na comparação com a entrega no prazo mais curto.

Nas contas da Czarnikow, o volume a ser entregue na bolsa no fim deste mês é de 850 mil toneladas de açúcar, entre produto Tailandês e da Guatemala. O cálculo, que considera a quantia estocada nesses dois países, subtraído do volume já negociado, aponta que a Tailândia terá a entregar 600 mil toneladas e a Guatemala, 250 mil.

O produto das duas origens traz inconvenientes aos que devem receber o açúcar, segundo a analista da Czarnikow, Ana Carolina Ferraz. No caso do tailandês, o problema é a baixa qualidade do açúcar, que eleva custos de refino. Já o produto da América Central gera um custo maior de frete ao comprador, uma vez que está distante da demanda, sobretudo no Oriente Médio e na Ásia.

O fato é que, se a entrega física do açúcar for superior a 850 mil toneladas, o sinal ao mercado será o de que houve demanda pelo produto. Caso contrário, mais estoques estarão sendo empurrados para março. "Quanto menor a entrega este mês, maior a pressão sobre o contrato de março", disse Ana Carolina.

Ela lembra que há ainda pela frente sete pregões na bolsa de Nova York até o vencimento da tela de outubro. "Até lá, o cenário pode mudar, dada a volatilidade que vem marcando as sessões na bolsa nova iorquina". Na sexta, o contrato para outubro caiu 29 pontos, a 13,50 centavos de dólar por libra-peso.

Pode ser que parte das 850 mil toneladas sejam vendidas antes do fim deste mês. "Na última semana, a China comprou 100 mil toneladas do açúcar tailandês, pois as cotações caíram muito, a níveis que tornaram o produto mais atrativo, a despeito da qualidade menor", afirmou a analista.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo