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Cresce número de fazendas voltadas aos cafés especiais

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Divulgação / Divulgação
Fazenda da Carmo Estate Coffees: empresa deve investir cerca de R$ 800 mil para aumentar a mecanização das lavouras

É expressiva a expansão do número de fazendas no Brasil que produzem cafés especiais. A qualidade, no entanto, criou a necessidade de certificar estas lavouras. Praticamente todas as propriedades que cultivam este tipo de grão têm alguma certificação ou participam de programas de sustentabilidade, conforme a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês).

A ligação com estas áreas permitiu que entidade pudesse estimar o número de fazendas dedicadas a safras especiais de café. Há dez anos, elas eram cerca de 400 e agora são em torno de 35 mil, aumento superior a 8.800%. Ainda assim, são apenas cerca de 10% das 350 mil propriedades que se dedicam à cafeicultura no país.

Mas a participação dessas propriedades tende a aumentar caso o crescimento continue no ritmo atual. Vanúsia Nogueira, diretora-executiva da BSCA, afirma que o processo de produção de cafés especiais foi lento, porém intensificado nos últimos dois anos. E agora cresce aproximadamente 20% ao ano de acordo com seus cálculos. "Estamos numa curva exponencial", analisa a diretora.

Mesmo com a grande volatilidade de preços da commodity e a crise econômica em importantes consumidores como Estados Unidos e União Europeia, a demanda por cafés de melhor qualidade é crescente segundo a BSCA. Os preços recebidos são de 20% a 30% superiores aos valores do café comum e podem atingir cotações maiores dependendo da qualidade alcançada.

Mesmo as fazendas que não torram os frutos conseguem boa rentabilidade, como é o caso da Carmo Estate Coffees, especializada na produção de grãos verdes. Tulio Junqueira, proprietário da empresa, faz parte da quinta geração da família que fincou os pés na cafeicultura do Sul de Minas há 150 anos. Desde 1976 ele assumiu as propriedades, mas a estratégia de produção de grãos especiais e diferenciação por marcas começou há cerca de dez anos.

A ideia ocorreu depois de voltar de uma feira voltada ao setor nos Estados Unidos. Nesse momento, ele se deu conta que não poderia ficar de fora deste mercado. Não é à toa que 70% da produção, estimada em cerca de oito mil sacas colhidas em duas fazendas, vai para o mercado externo, como Canadá, Alemanha, Europa, Coreia do Sul e Japão. A venda é feita em parceria com uma empresa exportadora – a SMC, em Poços de Caldas – e metade da produção certificada, aproximadamente 4 mil sacas, são de cafés de alta qualidade.

A Carmo Estate Coffees adquiriu reconhecimento internacional e teve o seu café usado por um cliente no exterior – a Julio’s Meinl – como o produto-tema da feira promovida pela Associação Europeia de Cafés Especiais (SCAE, na sigla em inglês), realizada no mês passado.

Os preços dos cafés especiais acompanham mais lentamente a volatilidade das cotações negociadas em bolsa. Por isso, a empresa aguarda bons resultados para este ano. Em 2011, o faturamento foi de R$ 4 milhões.

Para Tulio Junqueira, a demanda está aquecida a contar das visitas de exportadores que querem conferir os processos de colheita e secagem dos cafés. Nos últimos dias, Junqueira recebeu compradores da Alemanha e do Japão. O produtor acredita que o consumidor aprendeu a apreciar uma boa bebida. "O mundo reconhece o Brasil como o futuro dos cafés especiais", afirma ele.

Mesmo com os bons resultados e a credibilidade adquirida ao longo dos anos, a empresa não pretende montar uma torrefação. "Tem de tudo no mercado de café. Ao me manter pequeno, eu consigo achar clientes pequenos e me apropriar de toda margem. E, para o comprador, sai mais barato do que no caso de um distribuidor comum", explica o cafeicultor.

Diante dos desafios de aumentar a produtividade e reduzir custos, Tulio Junqueira pretende renovar as lavouras coma implantação de novas variedades e aumentar para 90% a mecanização das propriedades, hoje implantada em 60% delas. O investimento para essas demandas deverá totalizar entre 700 mil e 800 mil reais nos próximos cinco anos.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo